Quando o cheiro desagradável na boca continua mesmo depois de escovar os dentes direito, é sinal de que algo precisa ser investigado. A boca concentra a maior parte das causas, mas o problema às vezes tem origem em outros órgãos e pode sinalizar quadros que precisam de tratamento médico.
O Ministério da Saúde explica que a halitose, como é chamada essa alteração do hálito, tem entre seus gatilhos o acúmulo de bactérias na língua, as doenças gengivais e o ressecamento bucal. Há ainda situações passageiras, como a queda na produção de saliva enquanto se dorme, além de outras causas que demandam acompanhamento médico.
Onde o mau hálito começa
Na maioria dos casos, a origem está na própria cavidade bucal. Resíduos alimentares permanecem nos espaços entre os dentes e na língua, onde bactérias os decompõem e liberam compostos com cheiro desagradável. Cáries, acúmulo de placa e inflamação das gengivas intensificam o problema.
Sinais como sangramento durante a escovação, gengivas inchadas, gosto ruim persistente e mobilidade dentária exigem avaliação profissional. A periodontite, doença que afeta os tecidos de sustentação dos dentes, pode avançar silenciosamente, sem provocar dor, até comprometer a estrutura de suporte.
A cirurgiã-dentista Manuela Lombardi. Especialista em reabilitação oral de Recife, informou ao Metrópoles que o importante é entender que não basta mascarar o cheiro, é preciso descobrir o que está causando o problema.
Quando o odor persiste mesmo após higiene rigorosa, a investigação deve ir além da boca. A rinite com secreção que desce pela garganta e o acúmulo de material chamado cáseo nas cavidades das amígdalas também podem alterar o hálito. Muitas pessoas imaginam que o estômago é o responsável, mas esse órgão é menos frequentemente a causa do que se acredita.
Em entrevista ao Metrópoles, o gastroenterologista Hugo Ricardo Amaral da Silveira, do Rio de Janeiro, disse que o refluxo pode agravar o mau hálito, mas raramente é a origem isolada do problema. A bactéria Helicobacter pylori, embora esteja associada a úlceras e gastrite, não é a principal responsável pelo odor bucal.
Só quando outros fatores já foram descartados é que a investigação gastrointestinal ganha prioridade.
Quando a produção de saliva diminui, durante o sono, por certos medicamentos ou pela respiração pela boca, o ressecamento acelera o acúmulo de bactérias. Antidepressivos, anti-hipertensivos e anti-histamínicos podem reduzir o fluxo salivar.
Se o mau hálito começou logo após iniciar uma medicação, o caminho correto é conversar com o médico prescritor. Nunca suspenda o remédio por conta própria, existem alternativas ou ajustes de dosagem que podem resolver o ressecamento sem comprometer o tratamento principal.
Quando procurar atendimento médico
O odor que permanece durante o dia inteiro ou retorna minutos após a limpeza bucal merece avaliação com um dentista. Se acompanhado de dificuldade para engolir, perda de peso sem razão aparente ou sintomas digestivos, como dor abdominal ou sensação de distensão, procure também um médico geral.
Quando a dor abdominal vem acompanhada de barriga estufada, vômitos e dificuldade para soltar gases ou evacuar, é preciso buscar atendimento de urgência, já que esse conjunto de sintomas pode apontar para uma obstrução intestinal.
Hálito semelhante à acetona acompanhado de vômitos, dor abdominal ou respiração rápida e profunda também requer atendimento imediato, pois pode indicar uma complicação grave da diabetes.
Diabetes, secura bucal crônica e certos cânceres das vias aéreas superiores podem se manifestar por meio da halitose. O consumo recente de alho, cebola ou bebidas alcoólicas causa odor passageiro, que desaparece naturalmente.
O jejum prolongado e o ressecamento geral do corpo também provocam o sintoma. Tentar resolver tudo por conta própria pode mascarar o sintoma e adiar o diagnóstico.
Escovar os dentes e a língua, usar fio dental e manter consultas regulares com o dentista são cuidados importantes, mas não substituem a investigação e o tratamento da causa quando o mau hálito insiste em permanecer.
A saliva remove resíduos alimentares que as bactérias usariam como alimento e controla o crescimento desses microrganismos. Quando sua produção diminui, durante o sono. Por respiração pela boca ou por efeito de medicamentos, o ressecamento facilita o acúmulo de resíduos e bactérias, que liberam compostos com cheiro desagradável.
Por isso, o mau hálito matinal é comum: durante a noite, a produção de saliva diminui naturalmente.





