Duas grandes redes holandesas de óticas suspenderam a comercialização dos óculos inteligentes da Meta após crescentes preocupações com privacidade e segurança de dados.
A Hans Anders retirou os Ray-Ban Meta e os Oakley Meta de suas lojas e plataforma online no dia 2 de outubro, enquanto a Wehkamp havia tomado decisão idêntica um dia antes.
A Hans Anders informou que planeja aguardar maior clareza regulatória antes de decidir se voltará a comercializar os produtos. Outros varejistas holandeses ainda comercializam os óculos, já que não existe proibição oficial no país.
Câmeras geram risco de gravação sem consentimento

Na Holanda, os óculos inteligentes receberam o apelido de “gluurbrillen”, expressão que significa algo como “óculos-espiões”, em referência à preocupação com filmagens não autorizadas.
O aparelho pode tirar fotos e gravar vídeos com recursos avançados de inteligência artificial, mas mantém a aparência de um óculos comum.
Em 22 de setembro, a Autoridade Holandesa de Proteção de Dados emitiu um alerta oficial indicando que filmar outras pessoas com esse tipo de dispositivo viola a maioria das regulamentações de privacidade.
Luz de aviso não tranquiliza críticos
Nos Ray-Ban Meta, uma pequena luz branca se acende quando a câmera está em funcionamento. A Meta afirma que o indicador avisa as pessoas ao redor sobre a gravação. Nos modelos mais recentes, o sistema desativa a câmera se detectar que a luz foi coberta ou adulterada.
Essas medidas, porém, não tranquilizaram os críticos. A Consumentenbond, principal associação de defesa do consumidor holandesa, notificou formalmente a Meta em 29 de setembro e deu à empresa duas semanas para fazer ajustes nos óculos.
A associação questiona se a luz de aviso é sempre visível. Também levanta preocupações sobre como a Meta utiliza os dados capturados pelos óculos e sobre seu possível emprego nos sistemas de inteligência artificial da empresa.
Parlamento e perspectivas globais
O Parlamento holandês também entrou no debate: deputados aprovaram uma proposta que instrui o governo a estudar formas de ampliar as restrições ao uso de óculos equipados com câmera.
A Meta planeja lançar modelos de óculos inteligentes sem câmera em resposta às preocupações com privacidade. Mas esses óculos ainda possuem microfones que podem captar áudio e, por isso, continuam levantando dúvidas sobre possíveis gravações não autorizadas.
Segundo a Meta, menos de 0,1% dos usuários dos óculos fazem modificações para burlar os mecanismos de segurança.
As reações contra os recursos dos óculos também ocorreram em outros países, além da Holanda. No Brasil, organizações já pediram à ANPD, à Senacon e ao MPF uma investigação sobre os óculos Ray-Ban Meta por possível violação da LGPD e do Código de Defesa do Consumidor.





