A Coreia do Sul se tornou o primeiro país do mundo a subsidiar o acesso à inteligência artificial generativa para toda a sua população. O programa “AI for All“, anunciado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), tratará a IA como um serviço público básico, sem limites de uso, franquia ou cobrança por tokens.
A iniciativa entra em fase de testes neste mês de setembro, com lançamento completo previsto para o final de 2026. A partir de 2027, o Estado passará a custear também as despesas operacionais dos consórcios responsáveis pela operação.
Diferentemente de um simples chatbot, a IA funcionará como um agente digital integrado aos sistemas governamentais, capaz de localizar serviços, alertar sobre benefícios e auxiliar no preenchimento de formulários.
Entre as aplicações previstas estão a marcação de consultas médicas, a orientação fiscal, a busca por habitação e a recomendação de conteúdos educativos.
Financiamento e estrutura nacional
O governo alocou cerca de 10 trilhões de wons (aproximadamente R$ 37 bilhões) por ano em IA. Para sustentar a demanda, até 512 chips Nvidia B200 serão distribuídos entre os consórcios operacionais.
Além disso, o governo sul-coreano irá diminuir a dependência de modelos desenvolvidos nos Estados Unidos e na China, impondo requisitos rigorosos: os operadores devem encaminhar pelo menos 50% dos pedidos a modelos de fundação coreanos certificados, com meta de elevação a 80% e mais 30% de outras empresas locais.
O serviço será executado por três consórcios selecionados pelo MSIT, cada um com sua própria aplicação: SK Telecom, KT e a Kakao Corp, empresa responsável pelo Kakao, plataforma de entretenimento e mensagens líder no país, o “WhatsApp” sul-coreano.
O que muda com o programa?
De acordo com analistas e especialistas do setor de IA, o AI for All reposiciona o papel do Estado na economia digital, “promovendo” os agentes de IA, que deixam de ser um produto de consumo e passam a ser tratados como utilidade pública, no mesmo patamar de energia elétrica e telecomunicações.
Ainda segundo analistas, a exigência de uso de modelos nacionais também posiciona a Coreia do Sul como polo de soberania tecnológica na corrida global pela inteligência artificial.





