Carros eletrificados possuem uma tecnologia pouco conhecida capaz de amenizar os problemas causados por enchentes, tempestades e outros eventos climáticos extremos que deixam bairros inteiros sem luz pelo mundo.
A tecnologia chamada V2L transforma o veículo numa espécie de gerador móvel, capaz de alimentar equipamentos essenciais durante um blecaute.
No Rio Grande do Sul, esse recurso já foi usado de forma concreta durante as enchentes de 2024.
A BYD enviou nove unidades do Dolphin ao estado, sendo oito para a Brigada Militar e uma para o Corpo de Bombeiros, e os carros funcionaram como verdadeiros “powerbanks gigantes” em bases de resgate.
Poucos donos de carros eletrificados conhecem a função “escondida” para apagões
Vehicle-to-Load é o nome completo da sigla V2L, e resume bem o que ela faz: em vez de só consumir energia, o carro passa a fornecê-la.
Um conversor interno transforma a corrente contínua armazenada na bateria em corrente alternada, a mesma que circula nas tomadas residenciais.
Esse acesso pode vir por um adaptador conectado ao bocal de recarga do veículo ou por tomadas já embutidas na carroceria, como ocorre na picape BYD Shark, que traz saídas no padrão brasileiro instaladas na própria caçamba.
Transformar o veículo num powerbank tem um custo relativamente baixo diante do benefício.
O kit oficial da GWM sai por R$ 899 e inclui cabo de cinco metros, régua com três tomadas de 220 V e potência máxima de 3.300 W.
Modelos de outras marcas custam entre R$ 700 e R$ 1,4 mil, valor que garante energia para geladeira, luzes, roteador, celulares e notebook, mas não sustenta um chuveiro elétrico.
Fora das emergências, o mesmo cabo serve em trilhas, campings e praias, ligando geladeira portátil, caixa de som e até compressor de pneus sem o ruído de um gerador a combustível.
Quais modelos oferecem o recurso
A função V2L já está presente em praticamente todas as faixas de preço do mercado brasileiro.
Entre os elétricos puros, aparecem BYD Dolphin Mini, GWM Ora 03, Geely EX2 e BYD Seal, enquanto híbridos como o GWM Haval H6 também trazem a tecnologia.
O Haval PHEV19 mantém a carga máxima por cerca de cinco horas e 30 minutos, e as versões equipadas com bateria de 34 kWh chegam a dez horas de autonomia.
Como uma casa brasileira consome em média 179 kWh por mês, o equivalente a 6 kWh por dia, os 44,9 kWh de um BYD Dolphin dariam para cobrir de cinco a seis dias de consumo doméstico, descontadas a reserva de bateria e as perdas na conversão de energia.





