Durante a década de 1970, a estância La Trinidad, localizada em Córdoba, funcionava como um grande empreendimento de pecuária: mantinha aproximadamente 12 mil ovelhas e 4 mil cabeças de gado que ocupavam suas pastagens.
Essa atividade econômica caracterizava a região da Pampa de Achala há décadas, moldando completamente a paisagem das Sierras Grandes de Córdoba.
A transformação começou em 1996, quando as terras deixaram de ser exploradas como propriedade privada e foram integradas ao Parque Nacional Quebrada do Condorito.
Uma área de proteção ambiental que hoje preserva mais de 35 mil hectares dedicados à conservação da natureza. Essa mudança marcou o fim de uma era e o início de uma nova função para aquele território.
O passado pecuário da região
A criação de gado em grande escala não era exclusividade da La Trinidad. Registros do Plano de Gestão do Parque Nacional indicam que desde a década de 1930, estâncias na região mantinham rebanhos de até 10 mil ovelhas.
Os proprietários exploravam extensões que chegavam a atingir entre 20 e 30 mil hectares cada uma, refletindo a importância econômica que a pecuária tinha para Córdoba naquele período.
As mudanças sociais e econômicas gradualmente alteraram essa situação, e com o tempo, as grandes propriedades foram fragmentadas em parcelas menores, e a intensidade da atividade pecuária caiu significativamente.
Ainda assim, marcas desse passado permaneceram no terreno: dentro do parque é possível encontrar restos do antigo “Baño de las Ovejas”, uma construção que era usada na La Trinidad para higienizar e tratar os animais.
Conservação e biodiversidade hoje
A criação do parque em 1996 visava proteger os ambientes naturais da Pampa de Achala e das quebradas adjacentes. Atualmente, a área sob proteção soma 35.396 hectares e abriga uma fauna e flora diversificada, incluindo espécies que quase desapareceram da região.
Desde 2007, o parque desenvolve ações de reintrodução do guanaco, um animal que habitava naturalmente a zona antes do período intensivo de pecuária. As quebradas funcionam como área de repouso, voo e reprodução para os cóndores, com setores onde chegam a se concentrar centenas de exemplares simultaneamente.






