Um filho que grita ao ser contrariado ou joga objetos quando fica nervoso pode estar reproduzindo, sem saber, a mesma reação que já viu em casa.
Um experimento realizado com crianças de 2 anos na Ruhr University Bochum, na Alemanha, aponta que os pequenos copiam o jeito como os adultos ao redor lidam com momentos de tensão.
Até os 7 anos, os pais funcionam como principal referência de comportamento, e cada reação impulsiva pode se transformar em modelo para os filhos.
Quando um cuidador levanta a voz numa discussão, a criança aprende que aquele é o caminho para expressar frustração e desconforto.
Psicólogos explicam como o comportamento dos pais pode influenciar a forma como crianças são vistas em casa
Psicólogos explicam que exigir calma de uma criança enquanto o adulto reage com impaciência às próprias frustrações não faz sentido.
A imitação é o principal mecanismo de aprendizado nessa fase, e a mudança de postura precisa começar pelos adultos da casa.
Especialistas ressaltam que repetir gestos e atitudes de quem está por perto é uma resposta natural do cérebro infantil.
Com o desenvolvimento cerebral acelerado nos primeiros anos, os pequenos absorvem com facilidade tanto os exemplos positivos quanto os negativos vindos da família.
Assim, as atitudes dos pais comunicam mais do que qualquer discurso, e falar sobre paciência ou generosidade perde força quando as ações do dia a dia mostram o contrário, como já disse o filósofo Ralph Waldo Emerson.
Coerência entre o que se diz e o que se faz
Cabe à família avaliar constantemente a qualidade dos exemplos oferecidos aos filhos e ajustar essa convivência sempre que necessário.
Esse cuidado envolve olhar para o próprio comportamento antes de corrigir o da criança.
Pais que têm mais habilidades sociais educativas têm filhos com menos problemas de comportamento e mais competência social.
Hábitos cotidianos revelam esse espelhamento com clareza.
Mães e pais que comem legumes e vegetais à mesa incentivam os filhos a fazer o mesmo, assim como adultos que praticam exercícios costumam ter crianças mais ativas fisicamente.
O inverso também é verdadeiro: quem não se movimenta não pode esperar que a criança tome essa iniciativa sozinha.
O mesmo padrão vale para amizades e leitura: pais que cultivam relações próximas e mantêm amizades ensinam pelo exemplo a importância do convívio social, enquanto quem lê com frequência tende a despertar esse interesse nos filhos.
A forma como os adultos lidam com o próprio corpo e a autoestima também deixa marcas na maneira como a criança se vê.
Comentários negativos sobre o corpo e a alimentação podem influenciar negativamente a autoimagem e a autoestima dos filhos.
Antes de corrigir uma reação impulsiva do filho, vale observar como a própria casa costuma lidar com raiva, frustração e desapontamento no dia a dia.





