Um tubarão-baleia com tamanho estimado entre 4,2 e 4,9 metros foi filmado na quarta-feira (9) no sul da Califórnia, nos Estados Unidos, em um registro considerado incomum para a região.
O animal apareceu a cerca de 48 quilômetros da costa, em uma área entre Malibu e a ilha de Santa Barbara e as imagens foram feitas pelo piloto Carl Sbarounis, que trabalha há décadas na localização aérea de cardumes para a pesca comercial.
Sbarounis calculou que o animal tivesse entre 14 e 16 pés de comprimento, equivalente a aproximadamente 4,3 a 4,9 metros. O tubarão-baleia é considerado o maior peixe do mundo, embora exemplares da espécie sejam associados principalmente a águas tropicais e temperadas quentes.

Aquecimento do mar favorece espécies de águas quentes
A presença do animal chamou atenção porque as águas da costa da Califórnia costumam ser mais frias do que as regiões onde o tubarão-baleia aparece com maior frequência. A espécie está distribuída por mares tropicais e temperados quentes e tende a ocupar áreas com temperaturas elevadas.
Brendan Talwar, pesquisador de pós-doutorado da Scripps Institution of Oceanography, disse ao Los Angeles Times que o forte El Niño e uma onda de calor marinha na região provavelmente contribuíram para a chegada de espécies tropicais mais ao norte neste ano. Ele classificou o encontro com o tubarão-baleia como excepcional.
Outros animais associados a águas mais quentes também apareceram recentemente no sul da Califórnia. No mesmo dia do registro do tubarão-baleia, Sbarounis filmou grupos de raias. Em agosto, um tubarão-martelo havia sido visto próximo ao píer de Malibu.
Maior peixe do mundo se alimenta de organismos pequenos
Apesar do tamanho, o tubarão-baleia é um animal filtrador. Sua alimentação inclui plâncton, pequenos crustáceos e peixes de pequeno porte. A espécie pode atingir dimensões muito superiores às do exemplar visto na Califórnia: até 17 metros para machos ou exemplares sem sexo identificado e de até 20 metros para fêmeas.
O Florida Museum of Natural History aponta ocorrências nos oceanos Atlântico, Índico e Pacífico, inclusive em uma faixa que vai da Califórnia ao Chile. Mesmo assim, avistamentos na costa californiana são pouco frequentes quando comparados a áreas tropicais onde os animais se concentram regularmente.
Piloto já havia encontrado a espécie na região
Sbarounis recebeu de um conhecido a informação sobre a presença do animal e levou cerca de 15 minutos para chegar de avião ao ponto indicado. Ele trabalha desde o fim da década de 1970 observando cardumes e outras espécies marinhas do alto.
O piloto contou que havia visto outro tubarão-baleia na região cerca de três anos antes e associou aparições desse tipo a períodos de água quente. Talwar afirmou que a tendência é que esses animais se desloquem novamente para o sul à medida que as temperaturas do oceano caiam durante os meses mais frios.





