Você costuma jantar após às 22h? Estudos sobre crononutrição — área que investiga a relação entre alimentação e relógio biológico — indicam que o corpo reage de forma diferente aos alimentos conforme o horário.
À noite, o metabolismo tende a desacelerar. A sensibilidade à insulina diminui, a tolerância à glicose pode ficar menor e hormônios ligados à fome e à saciedade sofrem alterações. Esse conjunto pode dificultar o controle do peso, piorar o sono e favorecer azia e refluxo.
Para a médica nutróloga Sandra Fernandes, do Grupo Kora Saúde, não há resposta única. “Depende do contexto. Mas, de forma geral, comer muito próximo ao horário de dormir parece estar associado a piores desfechos metabólicos”, afirmou à revista GQ.
Intervalo antes de dormir faz diferença
A recomendação mais comum é deixar de duas a quatro horas entre a última refeição e o momento de deitar. O intervalo de duas a três horas ajuda na digestão e reduz a chance de o sono ser interrompido por desconforto abdominal ou refluxo.
Quem dorme às 22h pode jantar entre 18h e 20h. Já quem vai para a cama perto da meia-noite tem margem para fazer a refeição entre 20h e 22h.
A nutricionista Alice Paiva ressalta que o relógio não deve ser analisado isoladamente. “Uma refeição equilibrada à noite, dentro das necessidades individuais e respeitando uma distância mínima do sono, não é, por si só, vilã”, disse à GQ.
Quando o jantar acontece tarde, a escolha do prato ganha importância. Preparações leves, com proteínas e fibras, costumam ser melhor toleradas. Omelete com legumes, sopa com proteína, iogurte com frutas, kefir, queijo cottage e sanduíches com proteína magra são alternativas.
Refeições gordurosas, grandes porções, álcool e excesso de açúcar podem aumentar o desconforto e atrasar a digestão. A rotina deve considerar trabalho, treinos, doenças e orientação profissional.





