O planeta Terra está mais longe do que nunca da zona de segurança. É o diagnóstico do novo Relatório de Saúde Planetária divulgado nesta semana por uma equipe de mais de 60 cientistas coordenada pelo Instituto Potsdam para Pesquisa sobre o Impacto Climático (PIK), na Alemanha.
De acordo com o documento produzido pelos estudiosos, os sete limites planetários já ultrapassados atingiram os maiores níveis de pressão já registrados.
“O sinal é inequívoco: a pressão aumenta em cada fronteira fora da faixa segura”, afirmou Boris Sakschewski, autor principal do relatório. A conclusão dos pesquisadores é que o risco de mudanças ambientais de grande escala, persistentes e potencialmente irreversíveis está em seu ponto mais alto.
Oceanos entram no grupo crítico
A principal novidade desta edição é a acidificação dos oceanos, que em 2025 superou o nível máximo e passou a integrar oficialmente o conjunto de sistemas em crise. Com isso, apenas dois dos nove limites, que são a camada de ozônio e os aerossóis atmosféricos, permanecem dentro da zona segura.
Já os demais processos, que são alterações climáticas, integridade da biosfera, transformação dos sistemas terrestres, recursos de água doce, fluxos biogeoquímicos, novas entidades (incluindo microplásticos) e acidificação dos oceanos, seguem fora da faixa considerada segura por cientistas desde 2009.
Além disso, um dos alertas mais graves do relatório é o enfraquecimento dos sumidouros naturais de carbono. Florestas e solos, que historicamente absorveram parte significativa do gás carbônico emitido pela queima de combustíveis fósseis, estão perdendo essa capacidade.
De acordo com os pesquisadores, o efeito disso é um ciclo vicioso: menos carbono retirado da atmosfera significa mais aquecimento, que por sua vez compromete ainda mais os ecossistemas.
Para que servem esses limites?
Segundo os estudiosos, esses relatórios servem para reafirmar que os limites planetários funcionam como um “painel de alerta” para a humanidade: enquanto todos estiverem dentro da zona segura, o risco de mudanças abruptas e irreversíveis é baixo.
Logo, como estamos com sete dos nove limites ultrapassados e em piora simultânea, a humanidade se encontra em uma situação inédita e grave no que se trata da preservação do planeta.





