À medida que o fim de semana se aproxima, cresce a preocupação dos brasileiros em relação à segurança das bebidas alcoólicas. O surto de intoxicação por metanol, que já contabiliza 58 casos em São Paulo, gera insegurança sobre o consumo, especialmente após a internação do rapper Hungria, que havia feito um show no estado pouco antes de apresentar sintomas de envenenamento.
Especialista recomenda cautela
Em entrevista à rádio Itatiaia, o professor do curso de Gastronomia do Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH) e especialista em bebidas, Carlos Henrique de Faria Vasconcelos, orientou os consumidores a redobrarem os cuidados.
Segundo ele, a regra principal é optar por produtos de procedência confiável e, sempre que possível, dar preferência às bebidas enlatadas.“Os produtos enlatados são menos preocupantes porque, uma vez aberta, a lata não pode ser reaproveitada. O risco de adulteração nesse formato é menor, já que boa parte da fraude ocorre no reaproveitamento de garrafas”, explicou.
O professor destacou ainda que as bebidas fermentadas, como cerveja e vinho, oferecem menor risco de contaminação, devido ao baixo teor alcoólico. Já os destilados, como cachaça, vodka, gin e whisky, são mais vulneráveis, pois o processo de produção e o valor de mercado tornam a adulteração mais atrativa para criminosos.
Por que o metanol é usado na adulteração?
Carlos Henrique esclareceu que o metanol pode até surgir naturalmente em processos de fermentação, mas em quantidades ínfimas e seguras. Quando ele aparece em níveis tóxicos, trata-se de adulteração ou falha grave na destilação.
O motivo é econômico, “O metanol é mais barato que outras matérias-primas. O contraventor age na clandestinidade, sabendo do risco, mas também do lucro elevado se não for descoberto”, afirmou.
Ele comparou a prática com a adulteração de combustíveis:“É como abastecer o carro em um posto suspeito com gasolina barata, que pode estar misturada a solventes. Só que, nesse caso, não é uma máquina que sofre as consequências, e sim um ser humano. E ingerir bebida adulterada pode ser fatal.”
Situação em São Paulo e Belo Horizonte
De acordo com a Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo, o número de notificações ligadas à suspeita de intoxicação por metanol subiu de 45 para 52 na manhã desta quinta-feira (2). Os registros incluem casos e óbitos em investigação.
Em Belo Horizonte, a prefeitura informou que o Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (CIEVS) não recebeu nenhuma notificação sobre casos ou mortes relacionados ao consumo de metanol.





