A decisão de abandonar a faculdade costuma ser vista como um risco — mas, no caso de Steve Jobs, tornou-se parte de uma das trajetórias mais emblemáticas do mundo da tecnologia.
O cofundador da Apple deixou o Reed College, nos Estados Unidos, apenas seis meses após iniciar o curso, em 1972. O motivo principal foi financeiro: as mensalidades eram altas e comprometiam as economias de seus pais adotivos, que não tinham condições de arcar com os custos por muito tempo.
Apesar da saída formal, Jobs não deixou o ambiente acadêmico imediatamente. Ele continuou frequentando aulas como ouvinte por cerca de um ano e meio, escolhendo disciplinas que realmente despertavam seu interesse — sem a pressão de seguir um currículo obrigatório.
A escolha que influenciou o futuro da tecnologia
Entre as aulas que decidiu acompanhar, uma em especial se tornaria decisiva anos depois: caligrafia. Foi nesse período que Jobs teve contato com tipografia, espaçamento entre letras e diferentes estilos de fontes. À época, o aprendizado parecia não ter aplicação prática. No entanto, essa experiência seria fundamental no desenvolvimento do Macintosh, primeiro computador pessoal a valorizar o design e a estética das fontes.
Anos mais tarde, em um famoso discurso na Universidade de Stanford, Jobs descreveu essa decisão como um exemplo de “conectar os pontos” — a ideia de que escolhas aparentemente desconexas podem fazer sentido no futuro.
Após deixar o Reed College, Jobs passou por uma fase de experimentação. Trabalhou na Atari, viajou para a Índia em busca de autoconhecimento e se envolveu com a cultura alternativa da época. Foi apenas em 1976 que, ao lado de Steve Wozniak, fundou a Apple.
Diferente do que muitos imaginam, abandonar a faculdade não foi um plano direto para criar a empresa. A decisão esteve mais ligada à busca por propósito e liberdade.





