Na terça-feira, 14, foi divulgada uma nova pesquisa da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), trazendo um dado alarmante sobre os imigrantes venezuelanos no Brasil: ao menos 70% deles não querem mais voltar para o seu país de origem, a Venezuela, pelo menos não neste momento.
O dado revela uma mudança estrutural no comportamento migratório, indicando que a permanência deixou de ser temporária para se tornar, em muitos casos, definitiva. O levantamento também apontou que 30% dos imigrantes venezuelanos só querem retornar quando o país apresentar condições melhores de vida. Isso incluí 5% das pessoas que disseram ter o desejo de retornar às suas origens no prazo de 12 meses.
É importante destacar que entre as pessoas que alimentar o desejo de voltar ao país, o principal motivo citado é a reunificação familiar, indicando que fatores emocionais ainda têm peso relevante na decisão.
O que explica a decisão de não voltar
A pesquisa mostra que a decisão está diretamente ligada às condições encontradas fora da Venezuela. Entre os fatores mais citados pelos entrevistados estão melhorias na segurança, acesso ao mercado de trabalho e disponibilidade de serviços essenciais nos países de acolhimento.
Além disso, há um elemento relevante: a incerteza sobre o retorno. Quase 60% dos entrevistados afirmam não ter informações claras sobre as condições atuais no país de origem, o que aumenta a percepção de risco em voltar. Na prática, isso cria um cenário em que permanecer no Brasil se torna uma decisão mais previsível do que tentar recomeçar na Venezuela.
O tamanho da presença venezuelana no Brasil
Esse comportamento ganha ainda mais relevância quando analisado em escala. Os venezuelanos formam atualmente o maior grupo de estrangeiros no Brasil, com cerca de 271,5 mil pessoas vivendo no país, segundo dados do IBGE.
Além disso, mais de 568 mil venezuelanos já entraram no território brasileiro entre 2015 e 2024, em um fluxo diretamente associado à crise econômica e social no país vizinho.





