Abel Braga deu seu último ato como treinador de futebol exatamente como viveu boa parte da carreira, salvando o Internacional em um momento de extrema pressão. Após deixar a aposentadoria por duas partidas para ajudar o clube que mais marcou sua trajetória, o técnico de 73 anos encerrou sua passagem pelas beiradas do campo com um feito que emocionou jogadores, dirigentes e torcedores.
Na tarde deste domingo, no Beira-Rio, o Inter venceu o Bragantino por 3 a 1 e contou com as derrotas de Fortaleza e Ceará para escapar do segundo rebaixamento de sua história. Ao apito final, Abel foi abraçado pelos atletas, ovacionado pelas arquibancadas e não conteve as lágrimas. O treinador classificou o momento como maior até do que o título mundial de 2006, conquistado sobre o Barcelona, no Japão.
“Lá, se eu fosse vice, seria o segundo maior time do mundo. A obrigação era do outro. Hoje foi muito mais importante. Ajudei a salvar o Inter do rebaixamento” disse o treinador, profundamente emocionado.
Um retorno por “dívida” e amor ao clube
Apresentado dias atrás, Abel relembrou que, em 2016, quando o Inter foi rebaixado pela primeira vez, recebeu o convite para assumir o comando, mas recusou. Desde então, carregava o que chamou de “dívida moral”. Dessa vez, aceitou o cargo de graça, apenas por sentir que precisava ajudar após a demissão de Ramón Díaz.
A missão era dura, o Colorado tinha de vencer o Bragantino e torcer por tropeços de dois concorrentes diretos. Dentro de campo, fez sua parte, e o roteiro dos resultados paralelos se completou com as derrotas de Ceará e Fortaleza para Palmeiras e Botafogo. Os dois clubes cearenses acabaram rebaixados.
O último ato de uma lenda colorada
A rápida, porém marcante,oitava passagem de Abel pelo Inter reforça ainda mais o elo eterno entre treinador e clube. Considerado por muitos o maior técnico da história colorada, ele repetiu após o jogo que não seguirá na carreira. A aposentadoria, interrompida brevemente, volta a ser definitiva.
Mesmo assim, Abel deixou aberta a possibilidade de atuar nos bastidores a partir de 2026, ocupando algum cargo diretivo. No Beira-Rio, a noite terminou com clima de despedida e reverência. Entre lágrimas, aplausos e agradecimentos, Abel Braga deu seu adeus ao futebol brasileiro, e, mais uma vez, saiu ovacionado pela torcida que o transformou em ídolo eterno.





