Durante muito tempo, as pessoas acreditavam que todas as camadas da Terra, incluindo o núcleo interno, giravam em sincronia perfeita com a superfície do planeta. Todavia, análises posteriores revelaram que os processos ocorrem de maneira totalmente independente.
Agora, um estudo recente, desenvolvido por especialistas da Universidade de Pequim, na China, não apenas reforçou o entendimento, como ainda revelou que o núcleo interno pode ter passado por diferentes transformações ao longo dos anos.
Publicada originalmente em 2023, a pesquisa revelou que, depois de um longo período girando mais rápido do que a Terra, o núcleo começou a desacelerar em meados de 2009, o que foi representado pela ausência de mudanças expressivas nos registros sísmicos.
De acordo com o professor Xiaodong Song, que é um dos nomes por trás do estudo, entre as décadas de 1980 e 1990 é possível perceber diferenças no núcleo de forma mais clara, diferentemente do que foi observado entre 2010 a 2020.
Por conta dos resultados, os cientistas afirmaram não apenas que o núcleo pode ter ficado perto de cessar sua rotação nos últimos anos, mas também que, atualmente, ele parece ter iniciado um movimento de rotação reversa.
Velocidade de rotação do núcleo não causa impactos diretos à Terra
Em entrevista ao portal CNN Brasil, o geofísico da Universidade Nacional Australiana Hrvoje Tkalcic, que não participou do estudo, afirmou que os dados registrados não representam nenhum tipo de evento cataclísmico.
Segundo ele, a descoberta apenas indica que, após anos, o movimento do núcleo interno finalmente parece estar sincronizado com o do restante do planeta, o que pode apresentar efeitos extremamente sutis para a superfície da Terra.
Entre os principais impactos, estão leves alterações no campo magnético, afetando a posição dos polos de maneira quase imperceptível, e na duração dos dias, que podem aumentar ou diminuir em frações de milissegundo.





