Símbolo do imaginário popular brasileiro e personagem central de uma das lendas mais conhecidas da Amazônia, o boto-cor-de-rosa enfrenta hoje uma ameaça real e silenciosa: o risco crescente de extinção. A intensificação das secas nos rios amazônicos, somada à degradação ambiental, tem provocado a morte de dezenas de animais e acendido um alerta entre pesquisadores e órgãos ambientais.
O boto-cor-de-rosa, cujo nome científico é Inia geoffrensis, está classificado como “em perigo” na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). Altamente adaptado aos rios da Amazônia, o animal sofre diretamente com a redução do nível das águas, a perda de habitat e a diminuição de presas — fatores que comprometem sua sobrevivência.
Um golfinho de água doce único no mundo
Apesar da aparência semelhante à de um golfinho marinho, o boto-cor-de-rosa é um mamífero de água doce e apresenta características singulares. Ele possui um sistema avançado de ecolocalização, essencial para se orientar nas águas turvas e na floresta alagada.
Uma estrutura chamada “melão”, localizada na cabeça, ajuda o animal a emitir e captar sons, permitindo que encontre alimento mesmo em ambientes de baixa visibilidade.
O boto também apresenta comportamento distinto conforme o sexo: fêmeas e filhotes costumam ocupar lagos e pequenos afluentes, enquanto os machos preferem os grandes rios. Robusto, pode atingir até 2,5 metros de comprimento e pesar cerca de 200 quilos, sendo considerado o maior golfinho de água doce do planeta.
Além da importância ecológica, o boto-cor-de-rosa ocupa lugar central no folclore amazônico. A lenda mais famosa diz que, à noite, o animal se transforma em um homem elegante, frequenta festas ribeirinhas e seduz mulheres antes de desaparecer ao amanhecer, retornando ao rio.
Hoje, porém, o mito dá lugar a uma preocupação concreta. Sem ações eficazes de preservação, o lendário boto-cor-de-rosa corre o risco de desaparecer da Amazônia — e da própria história brasileira.




