As canetas emagrecedoras têm se popularizado no Brasil devido ao seu efeito rápido para a perda de peso. Apesar disso, existem diversas críticas em relação ao seu uso, principalmente se for sem prescrição e acompanhamento médico. Nesse cenário, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) vem estudando novas regras para a manipulação desse produto. Então, na quarta-feira, 6, o órgão realizou mais uma movimentação que afeta todos que utilizam o item.
Após um pedido de vista durante uma reunião que ocorreu na quarta-feira, a agência reguladora decidiu adiar a votação de novas regras envolvendo medicamentos manipulados à base de substâncias como semaglutida, tirzepatida e liraglutida, que servem como princípio ativo para as canetas emagrecedoras e são utilizadas no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2.
Acontece que com o avanço do produto no Brasil, foi ampliada tanto a procura legal pelos medicamentos quanto o avanço do mercado irregular no Brasil. Assim, o tema passou a envolver não apenas questões comerciais, mas principalmente segurança sanitária, rastreabilidade e fiscalização da cadeia de produção.
O que a Anvisa quer mudar nas canetas emagrecedoras
A proposta analisada pela Anvisa prevê um endurecimento no controle dos insumos farmacêuticos usados pelas farmácias de manipulação. Na prática, o objetivo é criar uma estrutura mais rígida para acompanhar desde a importação da matéria-prima até a produção final dos medicamentos.
Entre as medidas discutidas estão:
- análise técnica dos insumos pelo Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS), ligado à Fiocruz;
- retenção dos lotes importados até aprovação laboratorial;
- exigência de certificados sanitários para fabricantes e importadores;
- monitoramento obrigatório de efeitos adversos;
- reforço na rastreabilidade dos produtos.
O funcionamento dessa proposta segue uma lógica de redução de risco sanitário. Isso porque medicamentos injetáveis exigem controle rigoroso de esterilidade, estabilidade química e padronização de dosagem. Quando há falhas nessa cadeia, o risco de efeitos adversos aumenta significativamente.
Pedido de vista adiou a votação
Apesar da expectativa do mercado, a votação foi suspensa após um pedido de vista apresentado pelo diretor Thiago Campos durante reunião da diretoria colegiada da Anvisa. Segundo ele, alguns pontos do texto ainda precisam de aperfeiçoamento, especialmente em relação ao processo regulatório e ao prazo de adaptação das empresas.
Com isso, a decisão final foi adiada e deverá voltar à pauta nas próximas reuniões da agência. Mesmo sem aprovação imediata das novas regras, o movimento da Anvisa já produz efeito no setor, principalmente porque sinaliza uma tendência de fiscalização mais intensa sobre medicamentos manipulados usados para emagrecimento.





