Durante um evento promovido pelo Itaú, nesta quarta-feira (22), a atriz Fernanda Torres refletiu sobre a influência da história financeira de sua família na forma como administra o próprio dinheiro. Filha dos atores Fernanda Montenegro e Fernando Torres, ela explicou que cresceu em um ambiente marcado por instabilidade econômica, mesmo cercada de sucesso artístico.
Segundo a atriz, a trajetória de endividamento dos pais, que recorreram a empréstimos bancários para manter a dedicação ao teatro, moldou sua relação com as finanças.
“Eu não tenho confiança [no dinheiro] porque eu sou filha dos meus pais, que viveram a vida inteira endividados para fazer teatro, pegavam dinheiro em banco e durante muito tempo eles foram muito endividados. Quando nos anos 70 minha família começou a se estabilizar porque conseguiram um bom sucesso, a minha mãe todo dia acordava e dizia isso ‘não é real”, afirmou Torres durante a palestra.
Medo de instabilidade
A atriz também relacionou o medo de instabilidade ao contexto econômico brasileiro das décadas passadas. “Eu sou da geração que sofreu o assassinato em massa, um serial killer, dos planos econômicos. Nenhum funcionava: cruzeiro cruzado, cruzado novo, confisco. Então essa ideia de que aquele dinheiro que talvez um dia ele possa me dar segurança quando eu não puder trabalhar, eu acho que é muito difícil no Brasil a gente acreditar que isso existe”, declarou.
Mesmo após consolidar uma carreira premiada, com indicações internacionais e décadas de atuação, Fernanda Torres disse que o receio herdado da infância ainda influencia seu comportamento financeiro. “Eu procuro ser menos tensa com o medo da ruína, que realmente acompanhou a minha mãe. Ela era filha de operários e foi uma coisa muito louca o que aconteceu com a vida dela, que uma profissão tida como marginal tenha dado um conforto de vida pra ela”, relatou.
Erros cometidos em investimentos pessoais
A atriz também abordou erros cometidos em investimentos pessoais, especialmente no setor imobiliário. O primeiro ocorreu aos 17 anos, ao comprar um apartamento “virado para um buraco”, como descreveu, motivada pelo desejo de independência.
Mais tarde, adquiriu um terreno por sugestão de um namorado, mas problemas na construção e na localização comprometeram o resultado. Mesmo após uma reforma financiada com uma multa trabalhista, o investimento não trouxe o retorno esperado.





