Depois de dias marcados por temporais intensos na capital paulista, o alerta agora se volta para o interior do estado. A região de Campinas, uma das mais populosas de São Paulo, está em atenção máxima por integrar uma área conhecida como parte da “rota dos tornados” no Brasil.
O histórico da região e as condições climáticas recentes acendem o sinal de alerta para a possibilidade de novos fenômenos extremos.
Região de Campinas está no corredor dos tornados e já viveu episódios graves
O risco não é novo nem apenas teórico. Pesquisadores da Unicamp apontam que Campinas e cidades vizinhas fazem parte do chamado Corredor dos Tornados da América do Sul, faixa que começa no norte da Argentina e do Uruguai, passa pelo Sul do Brasil e avança até o estado de São Paulo.
Dentro desse cenário, municípios como Indaiatuba, Sumaré, Americana, Santa Bárbara d’Oeste, Paulínia e Nova Odessa aparecem com probabilidade estimada entre 20% e 25% de novos registros.
Um dos nomes mais respeitados no estudo desses eventos é o geógrafo Daniel Henrique Cândido, conhecido como “caçador de tornados”. Segundo ele, desde meados do século passado, já foram catalogados mais de 300 tornados no Brasil, com aumento nos últimos anos. Apenas na última década, a média chega a cerca de oito ocorrências por ano.
A região carrega cicatrizes. Em maio de 2005, um tornado de categoria F3 atingiu Indaiatuba, deixou um rastro de destruição por 15 quilômetros, causou prejuízos milionários e resultou em uma morte em Capivari. Campinas e Piracicaba também já registraram microexplosões e ventos extremos em outros episódios.
Especialistas explicam que o risco existe porque a região sofre a influência simultânea de massas de ar quente e úmido, típicas do clima tropical, com sistemas mais frios de origem subtropical. Esse choque cria o ambiente ideal para a formação de nuvens do tipo supercélula, capazes de gerar tornados.





