Segundo informações publicadas pelo jornal Folha de S.Paulo, a equipe encarregada do programa econômico do pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) avaliaria como politicamente viável, caso o senador seja eleito, um ajuste fiscal inicial da ordem de dois pontos percentuais do Produto Interno Bruto (PIB).
A reportagem indica que esse valor corresponderia à metade do que especialistas consultados consideram necessário para estabilizar a trajetória da dívida pública, estimada em quatro pontos do PIB. Segundo o jornal, Flávio planeja reajustar aposentadorias e despesas com saúde e educação só pela inflação. Na prática, isso travaria aumentos acima desses parâmetros.
Ainda de acordo com a Folha de S.Paulo, a premissa da equipe do pré-candidato seria a de que tal ajuste enviaria um recado considerado plausível aos investidores que atualmente financiam o déficit público.
O jornal aponta que, sob essa expectativa, o mercado poderia vir a exigir juros menores na compra de títulos do Tesouro.
Três medidas principais teriam sido citadas por fontes da reportagem: a desvinculação das despesas com saúde do piso constitucional de 15% da receita corrente líquida, o mesmo mecanismo para a educação em relação aos atuais 18% da receita líquida de impostos, e a separação entre a política de reajuste real do salário mínimo dos trabalhadores da ativa e a correção do piso da Previdência e do Benefício de Prestação Continuada (BPC).
Mudanças dependeriam de PECs
A Folha de S.Paulo acrescenta que tais mudanças dependeriam de propostas de emenda à Constituição (PECs), exigindo três quintos dos votos na Câmara e no Senado. A reportagem informa que o partido do pré-candidato acredita numa ampliação da direita nas duas Casas legislativas.
A equipe de Flávio Bolsonaro, segundo o jornal, não teria falado abertamente sobre essas medidas, e um anúncio previsto para o final de março teria sido abortado. A assessoria do senador, após a publicação, refutou as informações, mas a Folha de S.Paulo afirma manter o teor da reportagem, confirmado com assessores da campanha e empresários.





