A Costa dos Corais, a maior unidade de conservação marinha do Brasil, está sob risco grave, os recifes de coral que se estendem por cerca de 130 quilômetros entre Alagoas e Pernambuco vêm sofrendo uma das maiores mortandades já registradas, e pesquisadores alertam que a região pode se transformar num “cemitério submerso”.
Ecossistema em colapso
Segundo monitoramento realizado entre setembro de 2023 e novembro de 2024 por pesquisadores da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), em locais como Maragogi, Paripueira e Maceió a mortalidade dos corais em áreas rasas alcançou índices alarmantes, de 80% a 90%.
Em Pernambuco, os dados não são melhores, especialistas apontam que entre 70% e 80% dos corais também morreram.
O resultado desse colapso não deve ser visto apenas como perda de beleza natural, recifes saudáveis são berçários de biodiversidade marinha, abrigando milhares de espécies e sustentando atividades como pesca e turismo. Com a destruição massiva, o impacto se reflete diretamente nos ecossistemas costeiros e nas comunidades que dependem deles.
Calor do mar, poluição e turismo desordenado
Especialistas apontam uma combinação fatal de fatores como causa do desastre, o aquecimento das águas, agravado por eventos climáticos extremos, a poluição e o turismo sem controle.
O fenômeno de branqueamento ocorre quando a água fica mais quente do que o tolerado pelos corais. Isso faz com que eles percam as algas simbióticas responsáveis pela nutrição e, sem alimento, morram.
Além disso, o turismo em massa, sem fiscalização adequada, agrava os danos, há relatos de pisoteio, quebra de corais, poluição por resíduos de embarcações e cosméticos, e acúmulo de lixo e combustíveis nas águas.
Medidas emergenciais para tentar salvar o que resta
Diante do colapso ambiental, a Justiça proibiu atividades de turismo em áreas como a famosa Lagoa Azul, em Maragogi, conhecida como “Caribe brasileiro”, para preservar os recifes que ainda resistem. O decreto municipal que permitia turismo em massa foi suspenso após ação do Ministério Público Federal (MPF), que apontou os danos causados pelas atividades humanas.
Desde então, o acesso a algumas piscinas naturais é restrito, com fiscalização para limitar o número de visitantes e evitar novas destruições.
Há saída, mas depende da ação coletiva
Apesar da gravidade, pesquisadores afirmam que a recuperação da Costa dos Corais ainda é possível, desde que haja uma combinação de fatores, a diminuição da temperatura da água, fiscalização rigorosa, controle da poluição e adesão da população e turistas a práticas sustentáveis.
Alternativas sustentáveis como o turismo de observação, com respeito aos limites ecológicos, e a educação ambiental, já vêm sendo promovidas por associações locais, como a Associação Peixe-Boi, em Porto de Pedras (AL).
Se nada for feito, a Costa dos Corais, até então cartão-postal do litoral nordestino, pode perder não apenas sua beleza, mas seu valor ecológico, social e econômico. A hora de agir, segundo especialistas, é agora.





