O austríaco naturalizado brasileiro Werner Rydl, de 68 anos, voltou a chamar atenção após afirmar ter escondido uma fortuna em barras de ouro no fundo do oceano. O homem, que vive em uma casa alugada no Rio Grande do Norte, já havia ganhado destaque anteriormente ao declarar à Receita Federal um patrimônio bilionário, estimado em até R$ 100 bilhões.
Agora, Rydl admite ter sonegado R$ 1 bilhão em impostos ao longo dos anos e diz que parte de sua fortuna está protegida em uma área marítima chamada por ele de Seagarland. A história rapidamente viralizou, mas, apesar das afirmações chamativas, não há qualquer documento oficial que comprove a existência desse “tesouro submerso”.
Investigado pela PF e pela Receita, mas sem provas do “ouro no mar”
Apesar da falta de comprovação do suposto tesouro, Rydl é alvo real de investigações. A Polícia Federal e a Receita Federal já apuraram movimentações suspeitas envolvendo ouro e possíveis crimes financeiros. Em uma das operações, ele chegou a ser preso com uma barra de ouro em uma mala, em um aeroporto brasileiro.
Nos últimos anos, a PF deflagrou operações contra contrabando, comércio ilegal e lavagem de dinheiro envolvendo ouro, e o nome de Rydl aparece entre investigados. Documentos e relatórios públicos revelam que:
- há apurações ligadas ao comércio ilegal de ouro;
- a Receita Federal identificou movimentações financeiras incompatíveis com sua situação atual;
- ele já tentou comprovar a origem de barras de ouro com documentos inconsistentes.
Contudo, até agora nenhuma investigação oficial confirmou a existência de toneladas de ouro armazenadas no fundo do mar, como afirma o próprio Rydl.
“Seagarland”: território inventado ou área real?
Outro ponto nebuloso da história é a suposta área marítima chamada por Rydl de Seagarland, onde ele afirma ter depositado o ouro. Ele diz que o território foi “registrado” junto a um ministério, mas não há validação jurídica, reconhecimento internacional ou registro oficial.
Apenas sites ligados ao próprio Rydl mencionam esse território, e documentos apresentados por ele não têm validade oficial. Até o momento:
- a Marinha do Brasil não confirma nenhuma operação ou mapeamento de estruturas metálicas submersas atribuídas a Rydl;
- a PF não realizou buscas submarinas relacionadas ao caso;
- não há perícia independente ou laudo técnico que comprove qualquer depósito de ouro no oceano.
Ou seja, a história do “tesouro escondido” permanece no campo das declarações pessoais, sem evidência factual.
Contradições na história
Apesar de afirmar possuir centenas de toneladas de ouro, Rydl vive de forma modesta no litoral potiguar e mora em um imóvel alugado. Ele alega que sua fortuna só não pode ser usada porque está “presa no fundo do mar”, argumento que especialistas consideram improvável.
A Receita Federal já analisou diversas vezes suas declarações, e o patrimônio bilionário informado é tratado com suspeita, já que não encontra respaldo em registros financeiros, fiscais ou patrimoniais.
Confissão de sonegação e investigações em andamento
Rydl declarou ter sonegado cerca de R$ 1 bilhão, mas esse número não foi oficialmente confirmado pelas autoridades. Mesmo assim, órgãos federais já o investigam por:
- evasão de divisas;
- lavagem de dinheiro;
- contrabando de ouro;
- falsificação de documentos que comprovariam origem de metais preciosos.
Em nenhum dos processos há provas de que toneladas de ouro tenham sido escondidas no mar. As investigações se concentram na origem do ouro comercializado, não em supostos cofres submarinos.





