A Dipirona, um dos analgésicos mais populares no Brasil, é vendida sem receita médica e amplamente utilizada para aliviar dores e febre. No entanto, o mesmo medicamento enfrenta restrições severas ou até proibição em países como Estados Unidos, Japão e parte da Europa, o que levanta dúvidas sobre sua segurança e os critérios adotados por diferentes autoridades sanitárias.
Por que a dipirona é proibida em outros países?
A principal razão para a proibição da dipirona em diversas nações está associada ao risco de uma condição rara, porém grave, chamada Agranulocitose. Trata-se de uma alteração no sangue que reduz drasticamente os glóbulos brancos, responsáveis pela defesa do organismo, aumentando o risco de infecções severas e até morte.
Esse possível efeito colateral levou órgãos reguladores, como a FDA nos Estados Unidos, a retirarem o medicamento do mercado ainda na década de 1970.
Uso continua sendo comum no Brasil
Apesar das restrições internacionais, a dipirona segue liberada e amplamente utilizada no Brasil. O medicamento é conhecido pela eficácia no alívio rápido da dor e da febre, além do baixo custo, fatores que contribuem para sua popularidade.
Dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária indicam que centenas de milhões de doses são consumidas anualmente no país, consolidando o remédio como um dos mais utilizados pela população.
Estudos recentes apontam baixo risco
Pesquisas também já colocaram em perspectiva o risco associado à dipirona. Um grande estudo realizado na América Latina entre janeiro de 2002 e dezembro de 2005, por exemplo, identificou uma incidência extremamente baixa de agranulocitose, pois houve apenas cerca de 0,38 caso por milhão de habitantes ao ano.
Especialistas afirmam que, com base nesses dados, o risco do medicamento pode ser comparável ou até inferior ao de outros analgésicos comuns disponíveis no mercado.
Diferença de decisões entre países
A divergência entre países ocorre, principalmente, por critérios distintos de avaliação de risco-benefício. Enquanto algumas nações adotaram uma postura mais conservadora após estudos antigos, outras, como o Brasil, mantiveram o medicamento com base em evidências mais recentes e no histórico de uso seguro na população.
Atenção ao uso sem orientação
Mesmo sendo de venda livre no Brasil, especialistas alertam que o uso da dipirona deve ser feito com cautela. A automedicação pode mascarar sintomas importantes e trazer riscos, especialmente em grupos mais vulneráveis, como idosos e pessoas com doenças pré-existentes.





