É cada vez mais comum ver carros da BYD rodando pelas ruas nas mãos de motoristas de aplicativo e taxistas, especialmente no Brasil e na China. Modelos da montadora chinesa se tornaram favoritos entre condutores da Uber, 99 e da chinesa Didi por motivos claros: boa durabilidade, tecnologia embarcada e preços mais competitivos em relação aos concorrentes.
Mas esse sucesso acabou criando um efeito colateral inesperado. A BYD passou a ser vista como “a montadora dos carros de aplicativo” algo que a empresa não quer carregar como identidade principal. Para resolver isso, a marca anunciou o lançamento de uma nova divisão na China: a Link Auto, criada exclusivamente para atender motoristas de aplicativo e taxistas.
A estratégia é clara: separar o público consumidor final do público profissional. Enquanto a BYD seguirá focada no mercado tradicional, a Link Auto será responsável por abastecer frotas e trabalhadores do transporte urbano, evitando a associação direta da marca principal com serviços como Uber e Didi.
Mesma base, nova identidade
Apesar da criação de uma nova marca, a diferença entre os carros da BYD e da Link Auto será, na prática, mais visual do que técnica. Os modelos da Link serão basicamente os mesmos veículos da BYD, com alterações no logotipo, no nome e em alguns elementos de design.
A mudança de nomenclatura já foi definida:
- BYD Qin → Link e5
- BYD Xia → Link M9
- BYD Seal 06 → Link e7
- BYD Han → Link e9
No visual, a Link Auto deve apostar em linhas mais conservadoras, resgatando o design de gerações anteriores dos modelos originais. A ideia é deixar o visual mais moderno e futurista exclusivamente para os carros vendidos sob a marca BYD.
Um exemplo é o Link e9, que, apesar de ser totalmente elétrico, utilizará a dianteira da antiga versão híbrida do BYD Han. Já o Link e5 seguirá o estilo da geração anterior do Qin, que recentemente ganhou um facelift mais ousado na linha BYD. Por dentro, porém, não haverá retrocesso: os modelos da Link contarão com tecnologias atualizadas e sistemas avançados de assistência à condução.
A força da BYD no mercado global e no Brasil
A criação da Link Auto acontece em um momento de enorme crescimento da BYD. Em 2025, a empresa se consolidou como a maior força do mercado global de veículos elétricos, superando a Tesla em volume de vendas.
No ranking global de veículos de nova energia (elétricos e híbridos plug-in), a BYD alcançou aproximadamente 4,6 milhões de unidades vendidas, considerando também suas marcas subsidiárias, como Denza e Fangchengbao. A Tesla, por sua vez, registrou cerca de 1,63 milhão de unidades, focadas exclusivamente em modelos 100% elétricos.
No Brasil, os números também impressionam. Desde abril de 2022, quando iniciou oficialmente suas operações no segmento de carros de passeio, a BYD já ultrapassou a marca de 200 mil veículos eletrificados emplacados no país. Somente em 2025, foram 111.683 unidades vendidas, representando um crescimento de 47% em relação a 2024.
O ano de 2026 começou ainda mais forte: em janeiro, a BYD emplacou 9.755 veículos, alcançando a 5ª posição no ranking geral de vendas do varejo brasileiro, superando marcas tradicionais como Toyota e Honda.
A Link Auto pode chegar ao Brasil?
Por enquanto, a BYD não confirmou se a Link Auto terá atuação global ou se ficará restrita ao mercado chinês. No entanto, considerando a enorme popularidade de modelos como Dolphin, Dolphin Mini e King entre motoristas de aplicativo no Brasil, a possibilidade de a nova marca desembarcar por aqui no futuro não é descartada.
No curto prazo, porém, a montadora chinesa segue focada em consolidar sua presença no mercado brasileiro como uma das principais fabricantes do país, o que pode adiar a separação oficial das marcas neste momento.





