O lendário estilista Giorgio Armani, que faleceu recentemente, acumulava uma fortuna avaliada em US$ 9,43 bilhões (cerca de R$ 51 bilhões) e não deixou filhos. Fundador da grife que leva seu nome, Armani era também o único acionista majoritário da empresa, criada na década de 1970 ao lado do sócio Sergio Galeotti, morto em 1985. Somente em 2024, a companhia gerou uma receita de 2,3 bilhões de euros (R$ 14,5 bilhões).
Dias antes de sua morte, o estilista declarou ao Financial Times que desejava uma sucessão orgânica, sem rupturas bruscas. Agora, a expectativa recai sobre a abertura de seu testamento, que deverá definir o futuro de uma das marcas mais poderosas do mundo da moda.
Quem pode herdar?
Armani tinha uma irmã mais nova, duas sobrinhas e um sobrinho, mas nenhum herdeiro necessário, como filhos, netos, pais ou avós. Isso significa que a distribuição da herança depende integralmente do testamento deixado por ele. Se o documento seguir todas as formalidades legais, Armani teria liberdade para destinar 100% do patrimônio a qualquer pessoa ou instituição, inclusive entidades filantrópicas.
Especialistas ouvidos pela Exame reforçam que, em casos sem herdeiros necessários, a força do testamento é praticamente absoluta. No entanto, ele precisa ser válido, registrado em cartório e livre de cláusulas ilícitas ou abusivas.
O que pode estar em jogo
Advogados explicam que o testamento pode envolver desde imóveis e participações empresariais até doações a fundações ou projetos sociais. No caso de bens imobiliários, será preciso registro em cartório; já as participações societárias dependem de regras específicas previstas no contrato social da Armani.
Há também a possibilidade de a carta deixar instruções sobre a continuidade da marca, garantindo que a identidade da grife seja preservada mesmo após sua morte, algo que o estilista sempre demonstrou priorizar.
O tabu da sucessão
Segundo os especialistas, a situação de Armani reforça a importância do planejamento sucessório. No Brasil e no mundo, ainda há resistência em discutir o tema, mas ele é essencial para evitar disputas e garantir que os desejos do falecido sejam respeitados.
“Apesar de envolver tabus, é indispensável organizar com antecedência a destinação do patrimônio, prevendo cenários e promovendo um diálogo transparente com familiares e demais envolvidos”, afirma o advogado Felipe Camiloti.
Agora, resta ao mundo aguardar pela leitura da carta de Armani, que pode trazer surpresas e até redefinir os rumos da grife italiana no mercado global.





