Entre colinas verdejantes e casas de pedra cobertas por videiras, encontra-se Bibury, uma pequena vila no condado de Gloucestershire, no sudoeste da Inglaterra. Com pouco mais de 600 habitantes, o vilarejo foi recentemente eleito pela revista Forbes como “a vila mais bonita do mundo”, um título que tem atraído atenção internacional e transformado a rotina de seus moradores.
Conhecida por sua arquitetura típica da região de Cotswolds, Bibury fica a poucos minutos de Cirencester, considerada a “capital” da área. O reconhecimento da Forbes, publicado em setembro de 2025, reforçou a fama que o local já possuía há mais de um século. O artista William Morris, ícone do movimento Arts and Crafts, descreveu Bibury no século XIX como “a vila mais bonita da Inglaterra”, uma definição que, hoje, parece mais atual do que nunca.
Um cenário digno de cinema
O cartão-postal mais famoso da vila é Arlington Row, um conjunto de casas de pedra dourada do século XVII às margens do rio Coln. Originalmente construídas como armazéns e depois transformadas em moradias de tecelões, as casas se tornaram as mais fotografadas do Reino Unido e estampam as notas de £20 emitidas pelo Banco da Inglaterra.
O cenário bucólico de Arlington Row já apareceu em produções internacionais, como o filme Stardust (2007), estrelado por Michelle Pfeiffer e Robert De Niro. A paisagem, que parece saída de um conto de fadas, também é marcada pela presença do rio Coln, que corta o vilarejo e forma uma pequena ilha chamada Rack Island, refúgio de diversas espécies de aves e plantas.
Entre as atrações locais estão ainda a Igreja Saxônica de Santa Maria, famosa por um vitral de 1927 criado por Karl Parsons, inspiração para selos natalinos do Royal Mail em 1992, e a Fazenda de Trutas de Bibury, uma das mais antigas da Inglaterra, que recebe visitantes interessados em conhecer a criação de peixes e o ecossistema da região.
Fama que traz problemas
Apesar da beleza que encanta visitantes de todo o mundo, os moradores de Bibury enfrentam as consequências do sucesso. Com uma população de cerca de 600 a 700 pessoas, a vila chega a receber até 20 mil turistas em um único fim de semana, provocando congestionamentos, longas filas e disputas por vagas de estacionamento.
O presidente do Conselho Paroquial, Craig Chapman, afirmou em entrevista à BBC que o título da Forbes é “uma honra”, mas também “uma faca de dois gumes”. Segundo ele, a infraestrutura da vila não comporta o volume de visitantes, o que causa transtornos no dia a dia e ameaça a tranquilidade local. “A questão é como as pessoas chegam até a aldeia, quando vêm e como se comportam”, disse.
Há registros de incidentes provocados pelo excesso de turistas, como estradas bloqueadas, ambulâncias com dificuldade de acesso e até moradores feridos em disputas por estacionamento. Muitos visitantes também são criticados por invadirem propriedades privadas em busca da foto perfeita para as redes sociais.
Tentativas de equilíbrio
Em resposta à situação, autoridades locais passaram a restringir o tráfego de ônibus de turismo e pedir que os visitantes utilizem veículos menores ao viajar para Bibury. A meta é encontrar um equilíbrio entre o turismo e a preservação da qualidade de vida dos moradores.Mesmo diante dos desafios, Bibury segue encantando viajantes com sua atmosfera atemporal.
O caso da vila reflete um dilema enfrentado por outros destinos mundialmente famosos, como Hallstatt, na Áustria, e Oia, em Santorini, onde a beleza que atrai turistas de todo o planeta também ameaça a essência do lugar.





