Uma vacina já conhecida dos brasileiros pode ter um efeito inesperado além da proteção contra doenças comuns. Pesquisadores dos Estados Unidos descobriram que versões mais potentes da vacina contra a gripe podem estar associadas à redução do risco de desenvolver Alzheimer, uma das formas mais frequentes de demência.
O estudo, publicado na revista científica Neurology, analisou dados de mais de 160 mil idosos com 65 anos ou mais. Os cientistas compararam dois grupos: um que recebeu a vacina tradicional contra a gripe e outro que tomou uma versão de alta dose, com maior concentração de antígeno — substância que estimula o sistema imunológico.
O que a pesquisa descobriu e o que muda na prática
Os resultados chamaram atenção: idosos que receberam a vacina de alta dose apresentaram cerca de 20% menos risco de desenvolver Alzheimer nos primeiros dois anos após a imunização, em comparação com aqueles que tomaram a versão comum.
No Brasil, essa versão mais potente já existe e é vendida na rede privada desde 2023, indicada principalmente para pessoas acima dos 60 anos.
Mas por que isso acontece? Ainda não há uma resposta definitiva, mas os cientistas trabalham com algumas hipóteses. Uma delas é que a vacina mais forte reduz melhor infecções como a gripe, evitando inflamações no corpo que podem afetar o cérebro ao longo do tempo. Outra possibilidade é que o imunizante ajude a “regular” o sistema imunológico, diminuindo processos inflamatórios ligados ao envelhecimento.
Apesar dos resultados promissores, especialistas fazem um alerta importante: o estudo mostra uma associação, e não uma prova de causa e efeito. Ou seja, ainda não dá para afirmar que a vacina previne Alzheimer.
Mesmo assim, a descoberta reforça a importância da vacinação — que pode trazer benefícios que vão muito além do que se imaginava até agora.





