Milhões de clientes do Itaú podem ter sido impactados por cobranças de seguros questionadas na Justiça ao longo dos últimos 14 anos. O tema voltou ao centro das discussões após a formalização de um acordo que prevê a devolução de valores a consumidores que conseguirem comprovar descontos considerados indevidos em suas faturas.
Embora não exista um valor oficial consolidado sobre o montante arrecadado com as cobranças questionadas, estimativas apontam cifras bilionárias. Considerando a base de aproximadamente 100 milhões de clientes informada pelo banco, especialistas destacam que mesmo descontos de pequeno valor, quando repetidos por anos, podem representar um impacto financeiro expressivo.
Acordo prevê devolução, mas impõe exigências aos consumidores
Segundo a ação civil coletiva que originou o acordo, determinados seguros e serviços teriam sido incluídos em faturas de cartões de crédito sem autorização prévia dos consumidores. As cobranças variavam, em muitos casos, entre R$ 10 e R$ 30 por mês, permanecendo ativas por longos períodos.
A investigação teve origem em reclamações registradas por correntistas que afirmaram ter identificado descontos recorrentes relacionados a seguros que não lembravam ter contratado. Também foram relatadas dificuldades para cancelar os serviços e obter estornos.
Como resultado das apurações, foi firmado um acordo que permite o pedido de ressarcimento. No entanto, os consumidores precisam atender a critérios específicos. Entre eles, comprovar que a cobrança ocorreu entre 13 de junho de 2011 e 18 de dezembro de 2025 e demonstrar que registraram reclamação em canais oficiais dentro desse mesmo período.
Os pedidos poderão ser apresentados até março de 2028. Para isso, será necessário reunir documentos, faturas e registros das reclamações realizadas anteriormente.
O caso reacendeu o debate sobre transparência nas relações bancárias e a importância de os consumidores acompanharem regularmente suas faturas. Especialistas recomendam atenção redobrada a cobranças recorrentes de baixo valor, que muitas vezes passam despercebidas, mas podem gerar prejuízos significativos ao longo dos anos.





