A suspensão da fabricação e comercialização de produtos líquidos da Ypê pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ganhou um novo capítulo após a revelação de que a Unilever já havia alertado autoridades brasileiras sobre possíveis contaminações microbiológicas meses antes da medida oficial. As informações foram divulgadas pela Folha de S.Paulo.
Segundo os registros obtidos pela reportagem, a multinacional — dona de marcas como Omo, Comfort e Cif — protocolou denúncias na Anvisa e na Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) ainda em outubro de 2025. Nos documentos, a empresa relata ter identificado a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa/paraaeruginosa em lotes de produtos Tixan Ypê Express após testes laboratoriais.
A análise teria sido realizada pelo laboratório Charles River, citado pela companhia como detentor de um dos maiores bancos genéticos do mundo. A denúncia apontava “desvio microbiológico relevante” e mencionava risco à saúde dos consumidores.
Denúncias envolveram mais de 18 lotes de produtos
Meses depois, em março de 2026, uma nova denúncia ampliou o caso. Segundo a Unilever, análises conduzidas pelo laboratório Eurofins encontraram sinais de contaminação em outros 14 lotes de produtos da linha Ypê, incluindo lava-roupas, detergentes e versões da linha Power Act.
Os documentos citam ainda vestígios genéticos de bactérias como Klebsiella pneumoniae e Acinetobacter baumannii, microrganismos associados a infecções hospitalares e riscos à saúde humana.
Após as notificações, a Anvisa realizou inspeções na fábrica da Química Amparo, responsável pela marca Ypê, localizada no interior de São Paulo. Neste mês, a agência determinou a suspensão da produção e venda de produtos líquidos fabricados na unidade.
Em nota à imprensa, a Unilever afirmou que realiza testes frequentes em produtos próprios e concorrentes como prática comum do setor e destacou que cabe às autoridades conduzirem as investigações e definirem eventuais medidas regulatórias.





