O Corinthians foi condenado pela Justiça do Trabalho a pagar uma pensão mensal de R$ 12 mil ao ex-jogador Kauê Moreira de Souza, além de uma indenização de R$ 50 mil por danos morais. A decisão, proferida pelo juiz Ivo Roberto Santarém Teles, da 6ª Vara do Trabalho de São Paulo, reconhece que o atleta sofreu incapacidade permanente para a prática do futebol em decorrência de uma lesão ocorrida enquanto defendia o clube.
A pensão deverá ser paga até setembro de 2035, com direito a 13º salário e férias proporcionais, totalizando cerca de R$ 2,5 milhões.
Lesão e disputa judicial
Kauê, hoje com 25 anos, chegou ao Corinthians em 2019, vindo das categorias de base de Taboão da Serra, São Bernardo e São Paulo. O contrato inicial de dois anos foi prorrogado até 2022, período em que o jogador disputou apenas 13 partidas pela base e não marcou gols. Ele nunca chegou a treinar com o time profissional.
Em abril de 2021, o atleta sofreu uma entorse no joelho direito durante um treino, iniciando uma sequência de dores e limitações físicas. O diagnóstico apontou espessamento fibrocicatricial do ligamento colateral medial e tendinopatia patelar, lesão semelhante à do meia argentino Rodrigo Garro.
Mesmo após sessões de fisioterapia e infiltrações, o problema persistiu. O jogador passou por uma cirurgia em março de 2022, mas continuou sentindo dores. Uma nova operação, considerada essencial pela defesa, só foi realizada em julho de 2023, quando Kauê já se encontrava afastado dos gramados há mais de dois anos.
A Justiça considerou que houve negligência no tratamento médico oferecido pelo clube, o que teria agravado o quadro clínico do atleta.
Carreira interrompida e vida após o Corinthians
Após o fim do vínculo com o Corinthians, em abril de 2024, Kauê tentou retomar a carreira em clubes menores. Chegou a disputar cinco partidas pelo Itaberaí (GO), marcando um gol, e atuou por 20 minutos pelo Inhumas, mas precisou sair de campo devido às dores no joelho.
Sem condições de continuar jogando profissionalmente, ele entrou com ação trabalhista pedindo indenização e pensão vitalícia, parcialmente atendida pela Justiça.
Recurso pendente
O Corinthians ainda pode recorrer da decisão, que foi proferida em 1ª instância. Procurado, o clube não se manifestou sobre o caso até o momento.
A sentença reacende o debate sobre a responsabilidade dos departamentos médicos de clubes de futebol e o amparo a jovens atletas que têm suas carreiras interrompidas por lesões graves.





