A privatização dos Correios voltou ao centro do debate político e econômico. A estatal, que já foi referência no setor de entregas, enfrenta um cenário financeiro crítico: só em 2025, estima-se a necessidade de R$ 2 bilhões do Tesouro para fechar as contas, com previsão de mais R$ 5 bilhões em 2026.
O prejuízo acumulado no primeiro semestre deste ano chegou a R$ 4,37 bilhões, mais que o triplo do registrado no mesmo período de 2024. Diante desse quadro, defensores da privatização apontam que apenas investidores privados teriam condições de aportar os R$ 2 bilhões anuais necessários para modernizar a operação e competir com startups de logística.
Aumento de tarifas e desemprego
O enfraquecimento da empresa é evidente. Com o avanço da internet, a receita com correspondências caiu drasticamente, enquanto o mercado de encomendas, cada vez mais dominado pelo comércio eletrônico, passou a exigir agilidade e inovação. Nesse setor, os Correios perderam espaço: em dez anos, sua participação caiu de 85% para 45%.
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) já elaborou uma modelagem que separa o serviço postal universal — de caráter social — da entrega de encomendas, onde vigorariam as leis de mercado.
O projeto de lei nº 591/2021, que autoriza a desestatização, foi aprovado pela Câmara, mas segue travado no Senado. Entre os entraves, estão divergências sobre a avaliação da estatal e o impacto social da medida.
Parlamentares e associações contrárias à venda alegam que a Constituição garante à União o dever de manter o serviço postal e temem aumento nas tarifas, fechamento de agências em áreas remotas e desemprego em massa.
Enquanto isso, a estatal continua pressionando as contas públicas. Sem a privatização, há risco de se tornar totalmente dependente do Tesouro — um peso adicional para o orçamento e para os contribuintes.





