Pela primeira vez, cientistas registraram um caso de partenogênese — também chamado de “nascimento virginal” — em uma crocodila-americana. O fenômeno foi descrito em junho de 2023, em um estudo da revista Biology Letters, da Royal Society, e chamou atenção da comunidade científica por nunca ter sido observado antes em crocodilos.
O episódio ocorreu em 2018, em um zoológico da Costa Rica, quando uma fêmea da espécie, que vivia isolada de machos havia cerca de 16 anos, produziu um ovo por conta própria. Dentro dele havia um feto totalmente formado, composto por 99,9% do DNA da mãe, o que confirmou a ausência de material genético masculino. O ciclo, porém, não foi concluído: o ovo não chegou a eclodir e o filhote morreu.
Reprodução sem machos: herança ancestral
A partenogênese facultativa já havia sido documentada em aves, peixes e outros répteis, mas nunca em crocodilos. Para os pesquisadores, o fato de o fenômeno ter se manifestado nessa espécie sugere que se trata de uma habilidade antiga, herdada de ancestrais em comum de diferentes linhagens. Isso levanta a hipótese de que até mesmo dinossauros poderiam ter tido a capacidade de se reproduzir sem um parceiro.
Nos últimos 20 anos, os relatos de partenogênese facultativa em vertebrados vêm aumentando. Os cientistas destacam, porém, que essa expansão se deve ao avanço nos estudos genéticos e ao maior interesse pelo tema, e não necessariamente a uma mudança no comportamento das espécies.
Embora, neste caso, o filhote não tenha sobrevivido, os autores do estudo ressaltam que isso não significa que todas as reproduções do tipo em crocodilos sejam inviáveis. A descoberta abre novas possibilidades para compreender não apenas a biologia desses animais, mas também a evolução de espécies extintas que podem ter compartilhado a mesma habilidade.





