O Banco Central se prepara para lançar, entre o fim de setembro e o início de outubro, uma nova funcionalidade dentro do sistema de pagamentos instantâneos, o Pix parcelado. A medida tem como objetivo ampliar o acesso ao crédito e consolidar o Pix como ferramenta também no varejo. No entanto, especialistas alertam que a novidade pode representar riscos, sobretudo para consumidores mais vulneráveis.
O que é o Pix parcelado
Na prática, a modalidade permitirá que o usuário parcele um pagamento feito via Pix, enquanto o comerciante recebe o valor integral no ato da compra. Segundo o Banco Central, a funcionalidade pode estimular o consumo de bens e serviços de maior valor, além de atender quem não tem acesso a cartões de crédito tradicionais. A novidade poderá ser usada não apenas em compras no comércio, mas também em qualquer tipo de transação via Pix.
Críticas e riscos apontados
O Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), entretanto, vê a mudança com preocupação. Para a entidade, ao transformar o Pix em instrumento de crédito, o Banco Central estaria descaracterizando a proposta original do sistema, que nasceu como política pública para democratizar os pagamentos.
“O consumidor pode acreditar que está apenas fazendo uma transferência parcelada, quando na verdade está contratando um crédito com juros e assumindo uma dívida, muitas vezes sem clareza das condições”, afirmou o Idec em manifesto publicado no início do mês.
Endividamento e desigualdade
O alerta do instituto ocorre em um momento de forte endividamento das famílias brasileiras. Dados recentes do próprio Banco Central indicam aumento da inadimplência, sobretudo entre a população de baixa renda. Para o Idec, justamente esse público, com menor acesso a crédito formal, tende a ser o mais impactado e explorado pela nova ferramenta.
Uma das críticas é que o crédito será contratado no ato da compra, sem tempo para reflexão sobre taxas, prazos e consequências do não pagamento. “O Pix nasceu como uma conquista pública. Transformá-lo em um canal de crédito pouco regulado é colocar essa conquista em risco”, conclui a entidade.
O próximo passo da evolução do Pix
O Banco Central, por sua vez, classifica a novidade como parte da “evolução do Pix”, que já ganhou neste ano outra funcionalidade, o Pix Automático, lançado em junho. No caso do Pix parcelado, ainda haverá incidência de juros, com taxas que podem variar de acordo com os bancos, muitas vezes, ligadas ao limite do cartão de crédito.





