O debate sobre os impactos das redes sociais na saúde de crianças e adolescentes ganhou um novo capítulo no Reino Unido. Entidades médicas britânicas passaram a comparar os riscos do uso excessivo de telas aos danos provocados pelo cigarro, especialmente entre os mais jovens.
A avaliação foi apresentada pela Academy of Medical Royal Colleges, organização que reúne instituições médicas do país, durante uma consulta pública sobre o uso de redes sociais por menores de 16 anos. O grupo defende que médicos passem a incluir perguntas sobre tempo de tela e hábitos digitais em consultas com adolescentes, da mesma forma que já investigam consumo de álcool, cigarro e outros comportamentos de risco.
Segundo os especialistas, o principal problema não está apenas no tempo gasto online, mas no tipo de conteúdo consumido e na exposição precoce a violência, estímulos viciantes e padrões prejudiciais à saúde mental.
Reino Unido discute restrições para menores de 16 anos
O governo britânico avalia medidas mais rígidas para limitar o acesso de crianças às plataformas digitais. Entre as propostas em discussão estão bloqueios de aplicativos para menores de 16 anos, restrições de horário, desativação de rolagem infinita e reforço nas verificações de idade.
A psiquiatra infantil Emily Sehmer afirmou que os danos provocados pelas redes podem ser ainda mais rápidos que os do cigarro. Segundo ela, bastam poucos segundos para uma criança ser exposta a conteúdos nocivos, incluindo violência extrema e materiais considerados perigosos para o desenvolvimento emocional.
A preocupação aumentou após relatos de famílias que associam problemas psicológicos graves ao uso intenso das redes sociais. Organizações de proteção infantil também pressionam empresas de tecnologia a adotar mecanismos mais rígidos de controle e classificação etária.
Apesar disso, alguns especialistas sugerem que a proibição total não é o caminho e que os ambientes digitais devem ser reformulados para serem seguros.





