Um feito raro ocorreu na Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (1º): direita, esquerda e centro se uniram e aprovaram por unanimidade a taxação dos super-ricos como forma de garantir a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil.
O placar de 493 votos a zero mostrou a força da pressão popular, que tomou as ruas e as redes sociais nas últimas semanas, obrigando até mesmo setores mais resistentes a recuar.
A força das ruas e das redes sociais
A mobilização ganhou corpo após os protestos de 21 de setembro, quando manifestantes em dezenas de cidades ergueram faixas pedindo a isenção do IR e o fim da anistia. A pressão não parou por aí: nas redes, campanhas de movimentos sociais, partidos e centrais sindicais impulsionaram a mensagem “isenção até R$ 5 mil, taxação dos super-ricos”, que rapidamente se tornou um dos assuntos mais comentados da política nacional.
Outro elemento decisivo foi a entrega de 1,5 milhão de assinaturas em um plebiscito popular ao presidente da República, demonstrando o respaldo direto da sociedade. O impacto foi imediato: de 99 emendas apresentadas, apenas três foram aproveitadas, preservando a espinha dorsal do projeto.
O texto aprovado assegura isenção para rendas de até R$ 5 mil, cria uma redução escalonada até R$ 7.350 mensais, estabelece cobrança mínima de 10% sobre lucros e dividendos acima de R$ 50 mil e aplica alíquotas progressivas anuais sobre rendas superiores a R$ 600 mil.
Deputados de diferentes espectros políticos reconheceram que a pressão popular foi decisiva. Mesmo parlamentares críticos acabaram votando a favor, temendo o desgaste de se opor a uma medida com amplo apoio social.
O resultado histórico mostra que, quando sociedade civil e opinião pública se organizam, até as divisões tradicionais entre direita e esquerda podem ser superadas em nome de um objetivo comum.





