Poucos brasileiros imaginam que um dos doces de leite mais premiados do país não nasceu em uma fazenda centenária nem em um tacho de cobre no interior. A história do produto começa em um lugar bem diferente: um laboratório universitário, em Minas Gerais, ainda na década de 1980.
Criado em meio a pesquisas acadêmicas, o doce de leite Viçosa se transformou, ao longo de quase quatro décadas, em um fenômeno da gastronomia nacional, acumulando prêmios, conquistando consumidores e levando o sabor mineiro para além das fronteiras do Brasil.
Da sala de aula ao topo das premiações
O doce de leite Viçosa começou a ser desenvolvido por professores e estudantes da Universidade Federal de Viçosa (UFV), durante atividades práticas do curso de Tecnologia de Alimentos. O objetivo inicial era aplicar, na prática, estudos sobre derivados do leite.
O que era apenas um experimento acadêmico rapidamente chamou atenção. A cremosidade, a doçura na medida certa e a aparência uniforme fizeram com que o produto se destacasse entre os similares do mercado. Em 1988, a universidade decidiu transformar a receita em produção regular, mantendo os mesmos padrões técnicos usados no laboratório.
Desde então, o processo segue rigoroso controle de qualidade, desde a seleção do leite até o tempo de cozimento. O cuidado se refletiu nos resultados: o doce se tornou o maior vencedor da história do Concurso Nacional de Produtos Lácteos, com dez títulos de melhor do Brasil.
Além disso, conquistou o Selo Ouro em avaliações de especialistas e passou a ser vendido em diferentes estados, ganhando versões com coco, café e cacau. Hoje, a produção ultrapassa 100 mil quilos por mês, com parte destinada à exportação.
Em 2022, o reconhecimento foi além dos prêmios: o modo de produção foi registrado como Patrimônio Cultural Imaterial de Minas Gerais, reforçando o fator tradicional do doce.





