A trajetória do educador físico Rodrigo Bulso, de 33 anos, expõe os desafios no diagnóstico precoce de uma variante pouco conhecida do melanoma. Conforme informações publicadas pelo G1, em janeiro deste ano, o profissional, que sempre manteve rigorosa rotina de cuidados com a saúde, começou a sentir uma dor atípica na região das costas.
Diferente dos incômodos musculares habituais decorrentes da prática esportiva, o desconforto persistiu mesmo após a redução dos exercícios e o uso de analgésicos.
A intensidade dos sintomas cresceu progressivamente até se tornar incapacitante. De acordo com o relato divulgado, no trajeto para o hospital, qualquer desnível na pista provocava choques na coluna.
Exames revelaram a verdade
Exames de imagem revelaram uma vértebra torácica fraturada, não em decorrência de um trauma, mas sim por enfraquecimento estrutural causado por um tumor. Investigações posteriores identificaram múltiplas lesões espalhadas pelo organismo, atingindo pulmões, fígado, trato gastrointestinal e outras áreas da coluna.
A biópsia confirmou tratar-se de melanoma metastático, porém de um subtipo específico. As lesões encontradas no estômago e no duodeno correspondiam à variante amelanótica, que se caracteriza pela ausência de pigmentação.

Ao contrário da apresentação clássica da doença, marcada por manchas escuras e bordas irregulares, esse tipo de tumor não produz melanina, o que dificulta sua identificação visual.
Especialistas explicam que, embora a origem celular seja a mesma do melanoma convencional, alterações genéticas levam à perda da capacidade de produção do pigmento. Mutações acumuladas em enzimas específicas, como a tirosinase, comprometem a cascata bioquímica responsável pela pigmentação. Dessa forma, as lesões podem se manifestar como áreas avermelhadas ou rosadas, sendo facilmente confundidas com alterações benignas ou simplesmente passando despercebidas.





