Com os preços elevados nos postos no Brasil, com preços perto dos R$ 7 em algumas cidades, muitos motoristas buscam qualquer estratégia para economizar. Uma das crenças mais populares afirma que abastecer nas primeiras horas da manhã ou à noite quando a temperatura está mais baixa garantiria mais combustível pelo mesmo valor pago. Mas será que isso realmente faz diferença?
A lógica por trás da teoria
A explicação do mito está na chamada dilatação térmica. Quando líquidos como gasolina e etanol são expostos ao calor, suas moléculas se movimentam com maior intensidade, aumentando levemente o volume.
Na prática, isso significa que em temperaturas mais altas o combustível pode ocupar um espaço um pouco maior. Já em temperaturas mais baixas, ele tende a ficar mais “denso”.
Um estudo da Universidade Federal de Campina Grande apontou que, em dias muito quentes, a variação pode chegar a no máximo 4 mililitros a cada 50 litros abastecidos uma quantidade praticamente irrelevante para o consumidor.
Mesmo considerando variações significativas de temperatura, o impacto financeiro é quase imperceptível.
Tanques subterrâneos reduzem a diferença
Outro fator importante é o armazenamento. Nos postos brasileiros, a gasolina e o etanol ficam guardados em tanques subterrâneos.
Debaixo da terra, a variação térmica é muito pequena entre o dia e a noite. Isso mantém o combustível em temperatura relativamente estável, reduzindo ainda mais qualquer efeito de dilatação.
Ou seja: mesmo que exista variação teórica, ela é neutralizada pelo sistema de armazenamento.
Existe então “melhor horário”?
Alguns estudos indicam que, em tese, abastecer entre 19h e 7h quando as temperaturas costumam ser mais amenas poderia minimizar qualquer pequena perda volumétrica.
Mas os próprios especialistas reforçam: a economia é tão pequena que não compensa mudar a rotina por causa disso.
A conclusão técnica é clara:
“Não há melhor horário para abastecer se você quiser economizar combustível.”
O que realmente ajuda a economizar combustível
Se o horário não faz diferença prática, alguns hábitos podem gerar economia real no fim do mês:
Cuidados com o veículo
- Calibragem dos pneus: pneus murchos aumentam o consumo em até 3%.
- Manutenção preventiva: filtros sujos, velas desgastadas e óleo vencido reduzem a eficiência.
- Evitar peso desnecessário: quanto mais pesado o carro, maior o consumo.
Hábitos de direção
- Trocar marchas corretamente: evitar esticar marchas curtas além do ideal.
- Manter velocidade constante: acelerações e freadas bruscas elevam o gasto.
- Uso consciente do ar-condicionado: em baixa velocidade urbana, pode aumentar o consumo; já na estrada, é mais eficiente que rodar com janelas abertas.
Planejamento
- Evite congestionamentos: aplicativos como o Google Maps ajudam a escapar do “anda e para”, um dos maiores vilões da economia.
- Não aqueça o motor parado: carros modernos não precisam ficar ligados antes de sair.
Conclusão
A ideia de que existe um horário mais barato para abastecer é mais mito do que realidade. A variação provocada pela temperatura é mínima e não gera impacto significativo no bolso do motorista.
Se a meta é gastar menos com combustível, o segredo não está no relógio mas sim na manutenção do veículo e na forma de dirigir.





