O presidente argentino Javier Milei permanece no comando do país, mas enfrentou uma dura derrota política nas eleições provinciais realizadas neste domingo (7). Na província de Buenos Aires, a mais populosa da Argentina, o partido governista La Libertad Avanza (LLA) foi derrotado pelo peronismo em seis das oito regiões eleitorais. O resultado reforça a força da oposição e evidencia que o movimento liberal de Milei ainda encontra resistência nos grandes centros urbanos.
Com mais de 84% das urnas apuradas, o peronismo liderava a disputa com 53,81% dos votos, contra 28,6% da LLA. As demais siglas, como o Somos e pequenas alianças locais, não ultrapassaram 6% cada. A derrota foi mais expressiva nas áreas urbanas e conurbanas de Buenos Aires, região metropolitana da capital, onde os peronistas mantêm histórico domínio político.
Já o partido de Milei conseguiu vitórias apenas em áreas menores, como na quinta e sexta seções eleitorais, beneficiado por alianças locais. Ainda assim, o saldo deixou a legenda em clara desvantagem regional: o peronismo controla atualmente 83 dos 135 municípios da província.
Impacto político
Essa foi a décima eleição regional com participação da LLA desde a posse de Milei e representa, até agora, a derrota mais significativa do governo. O resultado enfraquece a posição do presidente às vésperas das eleições legislativas nacionais de 26 de outubro, seu primeiro grande teste eleitoral em nível nacional.
Apesar de continuar como chefe de Estado, Milei passa a enfrentar um cenário em que seu partido se tornou minoria nas províncias, limitando sua capacidade de articulação política.
Escândalo familiar
O revés ocorre em meio a um escândalo de corrupção que atinge diretamente a irmã do presidente, Karina Milei, atual secretária-geral da Presidência. Ela foi citada em reportagens e investigações sobre o chamado caso Spagnuolo, que apura irregularidades na Agência Nacional de Deficiência (ANDIS) e suposto pagamento de propinas em contratos de medicamentos.
Milei negou as acusações, chamou o caso de “mentira” e afirmou que acionará a Justiça para denunciar o que classificou como uma operação ilegal de inteligência contra seu governo.
O que são as eleições provinciais na Argentina?
As eleições provinciais são oficiais e obrigatórias em cada província do país. Nelas, os cidadãos elegem governadores, prefeitos e deputados locais, cargos que têm impacto direto no poder regional e no equilíbrio político nacional.





