A Europa pode estar prestes a enfrentar um dos cenários climáticos mais extremos de sua história recente.
Um novo estudo internacional acende o alerta para a possibilidade de um colapso no sistema de correntes oceânicas responsável por manter o continente relativamente aquecido, o que abriria caminho para invernos severos, nevascas devastadoras e mudanças profundas no equilíbrio climático global.
Sistema oceânico pode mergulhar o continente em frio extremo
A pesquisa, publicada na revista Environmental Research Letters, aponta riscos crescentes de colapso da Circulação Meridional de Revolvimento do Atlântico (Amoc), sistema que inclui a Corrente do Golfo. Essa engrenagem natural funciona como uma enorme “esteira” de calor, transportando águas quentes dos trópicos para o Atlântico Norte e devolvendo águas frias em profundidade. É esse mecanismo que impede que a Europa tenha temperaturas semelhantes às do Canadá, mesmo estando na mesma latitude.
Segundo as simulações analisadas, a Amoc pode desacelerar drasticamente ainda nas próximas décadas e caminhar para um colapso completo após 2100, caso as emissões de gases do efeito estufa sigam elevadas. Os efeitos seriam severos: quedas bruscas de temperatura, com registros abaixo de –30 °C em algumas regiões, avanço do gelo marinho, invernos longos e cidades paralisadas pela neve.
O impacto não se limitaria ao frio. A interrupção do transporte de calor reduziria a umidade que chega ao continente, provocando secas intensas no verão e favorecendo processos de desertificação em áreas hoje férteis. Regiões do norte e do oeste europeu seriam as mais atingidas, mas os efeitos se espalhariam para todo o hemisfério norte.
As simulações climáticas também indicam que mares estratégicos do Atlântico Norte podem atingir pontos de inflexão ainda neste século. A partir desse estágio, a recuperação do sistema se tornaria extremamente lenta, levando séculos. Especialistas alertam para impactos econômicos, sociais e ambientais duradouros em escala continental e global.





