Mesmo sendo dona da maior reserva comprovada de petróleo do planeta, a Venezuela segue praticamente ausente do ranking global dos empresários com grandes fortunas. Em 2025, apenas um nome representa o país na lista de bilionários da revista Forbes, Juan Carlos Escotet, fundador do banco transnacional Banesco, com sede em Caracas.
O contraste chama atenção em meio ao cenário político e econômico turbulento vivido pelo país. No último sábado (3), a capital venezuelana foi palco de uma operação militar autorizada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
O presidente Nicolás Maduro e a primeira-dama foram capturados em Caracas e levados para Nova York, onde devem responder a acusações relacionadas ao tráfico de drogas, segundo autoridades americanas.
Fortuna bilionária em meio ao colapso econômico
De acordo com a Forbes, Juan Carlos Escotet possui um patrimônio estimado em US$ 7,4 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 40 bilhões, o que o coloca na 430ª posição do ranking global de bilionários.
O crescimento da fortuna impressiona. Em apenas um ano, o valor praticamente dobrou, em 2024, a riqueza do empresário era estimada em cerca de R$ 20 bilhões. O desempenho contrasta com a realidade da Venezuela, marcada por hiperinflação, sanções internacionais e empobrecimento acelerado da população.
De office-boy a magnata do sistema financeiro
Filho de espanhóis que migraram de Madri para a Venezuela, Escotet começou a trabalhar cedo. Aos 17 anos, atuou como office-boy no Banco Unión. Formou-se em economia e, em 1986, fundou uma corretora financeira que, anos depois, acabaria se fundindo justamente com o banco onde ele iniciou a carreira.
A expansão internacional ganhou força a partir de 2012, quando Escotet adquiriu o tradicional Banco Echevarría, na Espanha, além do Abanca, consolidando sua presença no mercado europeu. Em 2024, o grupo avançou ainda mais ao comprar as operações do banco francês Crédit Mutuel em território espanhol, fortalecendo sua atuação global.
Relação tensa com o chavismo
Apesar de ter crescido durante o boom do petróleo entre as décadas de 1980 e 2000, o Banesco enfrentou conflitos diretos com o regime chavista. Em 2018, onze executivos do banco, incluindo o presidente da operação venezuelana, foram presos sob acusações de manipulação cambial e desvalorização do bolívar.
Após duas semanas de negociações que envolveram autoridades espanholas, os executivos foram libertados. A intervenção estatal no Banesco só foi encerrada em 2019, deixando marcas na relação entre o grupo financeiro e o governo venezuelano.
Estratégia fora da Venezuela
Atualmente, o Banesco segue como líder do sistema bancário venezuelano, mas a aposta principal está no exterior. Em dezembro de 2025, a subsidiária do banco nos Estados Unidos anunciou a compra de uma carteira de investimentos da Small Business Administration (SBA) no valor de US$ 95 milhões, ampliando sua presença na Flórida e em Porto Rico.
Reservado, Escotet vive há anos na cidade de La Coruña, na Espanha. Em 2022, o empresário enfrentou uma tragédia pessoal com a morte do filho, Juan Carlos Escotet Alviarez, de 31 anos, durante uma competição de pesca na Flórida.
Comparação com o homem mais rico do Brasil
Apesar da fortuna bilionária, Escotet ainda está longe de alcançar o homem mais rico do Brasil. Segundo a Forbes, esse posto pertence a Eduardo Saverin, cofundador do Facebook.
Com patrimônio estimado em US$ 34,5 bilhões (cerca de R$ 185 bilhões), Saverin ocupa atualmente a 51ª posição no ranking global de bilionários. Nascido em São Paulo e residente em Singapura.





