Separadas por apenas quatro quilômetros de mar, duas ilhas localizadas no Estreito de Bering vivem realidades temporais completamente distintas. As Ilhas Diomedes, situadas entre o Alasca (Estados Unidos) e a Sibéria (Rússia), registram uma das maiores diferenças de fuso-horário do planeta: 21 horas.
Apesar de fazerem parte do mesmo arquipélago, a Pequena Diomedes pertence aos Estados Unidos, enquanto a Grande Diomedes é território russo. Essa divisão política, definida em 1867, transformou vizinhas quase visíveis a olho nu em territórios separados não apenas por fronteiras, mas também pelo tempo.
A ilha de ontem e a ilha de amanhã
A diferença extrema ocorre porque cada ilha segue um fuso distinto. A Grande Diomedes opera no GMT+14, enquanto a Pequena Diomedes está no GMT-9. Na prática, quando ainda é domingo à tarde em uma ilha, já é segunda-feira do outro lado.
Por conta disso, a Grande Diomedes ganhou o apelido de “Ilha de Amanhã”, enquanto a Pequena Diomedes ficou conhecida como “Ilha de Ontem”. Curiosamente, percorrer os quatro quilômetros por barco levaria cerca de dez minutos, mas a travessia marítima direta é considerada ilegal.
Uma fronteira congelada pela política
Durante o inverno, o mar entre as ilhas congela, formando uma espécie de “ponte natural” de gelo. Ainda assim, a travessia continua proibida por questões diplomáticas. Durante a Guerra Fria, a região ficou conhecida como a “Cortina de Gelo”, simbolizando a divisão entre o capitalismo norte-americano e o comunismo soviético.
Há décadas, discute-se a construção de uma ligação oficial entre os continentes americano e asiático. A ideia mais defendida é a criação da chamada Ponte Intercontinental da Paz, atravessando o Estreito de Bering.
História e curiosidades das Ilhas Diomedes
As ilhas foram descritas pela primeira vez em 1648 e receberam esse nome por terem sido avistadas em 16 de agosto, dia dedicado a São Diomedes pela Igreja Ortodoxa Russa. O arquipélago também inspirou o romance “A Ilha do Dia Anterior”, de Umberto Eco.
Além disso, entrou para a história em 1987, quando a nadadora Lynne Cox tentou atravessar o canal a nado, em um gesto simbólico de aproximação entre Estados Unidos e União Soviética.
Vida isolada no extremo do planeta
Atualmente, apenas a Pequena Diomedes é habitada. Cerca de 118 moradores da etnia Inupiaq vivem em uma área de 7,4 km², sustentando-se por meio da pesca e da caça. A ilha possui uma escola, mas não conta com hospitais, e o acesso ao continente depende de voos que só ocorrem quando o clima permite.





