O primeiro-ministro francês, François Bayrou, apresentou uma proposta polêmica, reduzir de 11 para 9 o número de feriados nacionais da França como forma de gerar receitas extras e tentar conter o déficit orçamentário do país. Segundo ele, a medida poderia acrescentar mais de 40 bilhões de euros (cerca de R$ 284 bilhões) aos cofres públicos.
Bayrou sugeriu a eliminação da Segunda-feira de Páscoa e do 8 de maio, data em que a França celebra o fim da Segunda Guerra Mundial na Europa. Ele argumenta que o mês de maio já é marcado por vários dias de folga, como o 1º de Maio e a Ascensão, criando o que chamou de um calendário “como um queijo suíço, cheio de buracos”.
Com a mudança, a França ficaria com nove feriados nacionais, alinhando-se à vizinha Alemanha, embora ainda abaixo da Itália, que mantém doze.
Justificativa do governo
Para Bayrou, reduzir o número de dias parados significaria mais atividade econômica e, consequentemente, maior arrecadação de impostos. Ele chegou a questionar o peso religioso da Segunda-feira de Páscoa, afirmando que não teria o mesmo significado hoje.
O premiê afirmou que a proposta faz parte de um esforço maior para lidar com o que chamou de “maldição do déficit”, destacando que o país precisa contrair empréstimos mensalmente apenas para pagar aposentadorias e salários do funcionalismo.
Reação imediata da oposição
A ideia gerou forte rejeição entre adversários políticos. Jordan Bardella, líder do partido de extrema-direita Reunião Nacional, classificou a proposta como “um ataque direto à história e às raízes do país”.
Marine Le Pen, também do Reunião Nacional, advertiu que apresentará uma moção de desconfiança caso Bayrou não recue. Do outro lado do espectro político, o líder da França Insubmissa, Jean-Luc Mélenchon, pediu a renúncia do premiê, enquanto a deputada Mathilde Panot acusou o governo de promover “uma guerra social”.
Pressão sobre Macron
A pressão aumenta também sobre o presidente Emmanuel Macron, que havia incumbido Bayrou de formular um orçamento capaz de reduzir a dívida pública e, ao mesmo tempo, ampliar os gastos militares diante do que considera novas ameaças vindas da Rússia e de outros países.
Com a oposição prometendo resistência no Parlamento, onde Bayrou não tem maioria, o futuro da proposta é incerto. Mas o debate sobre cortar feriados para aliviar o déficit já provocou uma onda de protestos e abriu uma nova frente de crise política na França.
A dimensão do problema fiscal
Bayrou havia reconhecido que a França precisava melhorar sua posição orçamentária em 40 bilhões de euros no próximo ano, mas esse número subiu após Macron exigir 3,5 bilhões extras para a defesa, elevando o orçamento militar de 2025 para 50,5 bilhões de euros.
Segundo o premiê, o déficit deve cair de 5,4% este ano para 4,6% em 2026, até ficar abaixo dos 3% exigidos pela União Europeia em 2029. Para chegar lá, Bayrou defendeu congelar gastos públicos em áreas como saúde e aposentadorias, preservando apenas o pagamento da dívida e os investimentos em defesa. Hoje, a dívida francesa representa 114% do PIB, uma das maiores da União Europeia, atrás apenas de Grécia e Itália.





