O governo do Uruguai voltou a colocar no centro da agenda diplomática uma antiga disputa territorial com o Brasil. A área em questão tem pouco mais de 200 km² e fica na região conhecida como Rincão de Artigas, localizada, do ponto de vista brasileiro, dentro do município de Santana do Livramento, no Rio Grande do Sul. A retomada do tema ganhou força após a instalação de um parque eólico no local.
Segundo o governo uruguaio, a demarcação da fronteira feita no século 19 teria sido realizada de forma equivocada. A chancelaria do país afirma que a construção de infraestrutura na região não implica reconhecimento automático da soberania brasileira e defende a reabertura de negociações bilaterais sobre o território.
Disputa histórica reacende tensão diplomática entre Brasil e Uruguai
A controvérsia tem raízes antigas. Após a independência uruguaia, reconhecida em 1828, Brasil e Uruguai firmaram tratados para definir os limites territoriais, com destaque para o acordo de 1851. A fronteira foi oficialmente demarcada com base nesses documentos e, por décadas, não houve questionamentos formais. Isso mudou nos anos 1930, quando técnicos uruguaios passaram a alegar falhas na interpretação de marcos naturais da região.
Desde então, o tema reaparece de forma pontual, sempre acompanhado de trocas de notas diplomáticas. O episódio mais recente envolve o Parque Eólico Coxilha Negra, empreendimento da Eletrobras, em operação desde 2024. O projeto, avaliado em R$ 2,4 bilhões, possui 72 turbinas e capacidade para abastecer cerca de 1,5 milhão de consumidores.
Em junho, o Ministério das Relações Exteriores do país divulgou um comunicado afirmando que não reconhece a área como brasileira e solicitando a retomada do diálogo. O Itamaraty, por sua vez, informou que tratará do tema exclusivamente pelos canais diplomáticos.
Apesar do impasse, autoridades dos dois países reforçam que a disputa não compromete a relação histórica de cooperação e amizade entre Brasil e Uruguai, considerada estratégica no Cone Sul.





