O risco de uma nova greve de caminhoneiros voltou a preocupar o Brasil e já mobiliza lideranças em diferentes regiões. O movimento ganhou força diante da alta do diesel e da avaliação de que medidas do governo federal não tiveram efeito prático para a categoria. Segundo representantes do setor, assembleias já aprovaram a paralisação, que pode ocorrer em nível nacional nos próximos dias.
À frente da articulação, Wallace Landim, presidente da Abrava (Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores), afirma que a greve é uma questão de sobrevivência. O diesel acumulou aumento próximo de 19% em poucas semanas, impulsionado pelo cenário internacional. Mesmo após ações do governo, como redução de tributos, reajustes posteriores acabaram anulando o alívio esperado.
Na prática, motoristas relatam dificuldade para manter a atividade. O custo sobe, mas o valor do frete não acompanha, o que reduz a renda e inviabiliza viagens. Entre as principais demandas estão o cumprimento do piso mínimo do frete, fiscalização mais rigorosa e medidas para conter o preço do combustível.
Memória de 2018 reforça alerta de impacto nacional
A possível paralisação reacende o alerta para um cenário já vivido em 2018, quando uma greve de caminhoneiros paralisou o país. Na época, protestos contra reajustes frequentes no diesel levaram ao bloqueio de rodovias e interromperam o transporte de cargas em larga escala.
Os efeitos foram imediatos: falta de combustíveis, supermercados desabastecidos, suspensão de serviços e forte impacto econômico. A crise atingiu diretamente a inflação e derrubou indicadores importantes da economia, com prejuízos bilionários. A política de preços da Petrobras esteve no centro das críticas.
Hoje, o cenário apresenta semelhanças. Sem avanços nas negociações e com adesão crescente, a nova mobilização pode repetir impactos semelhantes, afetando desde o transporte até o custo de vida da população em todo o país.





