Para Rayno Nel, há algo especial em poder se chamar de o homem mais forte do mundo. O sul-africano de 30 anos conquistou o título na competição World’s Strongest Man 2025, em Sacramento (EUA), superando o tricampeão britânico Tom Stoltman, e tudo isso em sua estreia no torneio.
“Eu não entrei neste ano realmente pensando que subiria ao topo do pódio”, contou ao programa Not by the Playbook, da BBC World Service. “Ainda parece irreal já ter alcançado isso.”
Do rugby ao strongman
Curiosamente, Nel só começou a competir em provas de força em 2023, quatro anos depois de desistir do sonho de ser jogador profissional de rugby. Nascido em Upington, uma cidade isolada no Cabo do Norte, ele conhecia o esporte, mas diz que foi “sorte” acabar se envolvendo com o strongman após anos trabalhando como engenheiro eletricista.
“Eu queria praticar um esporte competitivo. Adoro a adrenalina e me colocar em situações difíceis”, afirmou.
Treino pesado e alimentação de atleta
A rotina de Nel é digna de um atleta de elite. Mesmo mantendo um emprego das 9h às 17h, ele dedica todo o seu tempo livre aos treinos. “Treino três horas em três noites da semana e, aos sábados, faço uma sessão longa de seis a oito horas”, contou.
Sua dieta também impressiona, são 6.000 calorias por dia, com muita carne vermelha, biltong (carne seca típica da África do Sul) e massas. Com 1,91 m de altura e 148 kg, Nel chegou a precisar de um terno sob medida, o alfaiate não encontrou uma camisa grande o suficiente para o pescoço dele.
O físico rendeu-lhe o apelido de “Rinoceronte da África do Sul”, que ele considera “bastante adequado”.
A vitória histórica
Na final em Sacramento, Nel superou todos os limites. Durante o levantamento terra, ergueu 490 kg, o equivalente a meio rinoceronte-negro. O feito o colocou à frente dos adversários, embora tenha enfrentado um momento crítico no Flintstone Press, quando falhou em uma tentativa e quase perdeu a liderança.
Mesmo sob pressão, o sul-africano manteve a concentração e mostrou força mental. “Há jogos psicológicos entre competidores, mas prefiro focar no meu próprio trabalho”, explicou.
Na última prova, os Atlas Stones, ele precisava apenas garantir o terceiro lugar. Conseguiu, por menos de um segundo, e sagrou-se campeão mundial por uma diferença de meio ponto.
“Foi uma enxurrada de emoção. Minha família, minha esposa e meu treinador estavam lá. Todos os sacrifícios valeram a pena”, recordou.
Fama, orgulho e futuro
Desde a conquista, Nel viu sua vida mudar completamente. “Agora é só mídia e reuniões com patrocinadores. É o que sempre quis, então estou aproveitando”, disse.
Além do sucesso pessoal, o atleta se orgulha de representar seu país. “A África enfrenta muitas dificuldades. Ter uma boa notícia como essa é algo que enche nosso povo de orgulho”, declarou.
O sul-africano sonha em levar o World’s Strongest Man de volta ao continente africano, que já sediou o evento em países como Botsuana, Zâmbia e Maurício.
E, apesar de já planejar novas conquistas, Nel tem um foco principal: “O título mais prestigiado é o de homem mais forte do mundo. Gostaria de defendê-lo uma ou duas vezes.”





