Juan Carlos Escotet é hoje o homem mais rico da Venezuela. Segundo a revista Forbes, ele acumula uma fortuna de US$ 11,2 bilhões — cerca de R$ 60 bilhões. Em um país historicamente dependente do petróleo, o banqueiro chama atenção por ter construído seu patrimônio longe do setor energético, apostando exclusivamente no mercado financeiro.
Escotet é o único venezuelano a figurar no ranking global de bilionários. Isso acontece em um momento em que o país enfrenta uma longa crise econômica, marcada por inflação elevada, sanções internacionais e retração do consumo. Enquanto a economia local encolheu, os negócios do empresário seguiram em expansão, principalmente fora da Venezuela.
Da juventude humilde à consolidação de um império financeiro na Venezuela
Nascido em Madri, na Espanha, Escotet se mudou ainda criança para a Venezuela. Aos 17 anos, começou a trabalhar como mensageiro em um banco enquanto cursava economia. Pouco depois, abriu sua própria corretora e passou a ampliar os serviços. Em 2001, seu banco se fundiu com a instituição onde ele havia iniciado a carreira, dando origem ao Banesco Banco Universal, um dos maiores grupos financeiros privados do país.
Com o agravamento da instabilidade política e econômica, ele decidiu acelerar a expansão internacional. Em 2012, comprou o Banco Echevarría, na Espanha. No ano seguinte, adquiriu o Abanca em uma operação bilionária. Hoje, suas empresas atuam em mercados como Estados Unidos, Portugal, Alemanha, França, Suíça, Brasil e Caribe.
A trajetória, porém, também teve turbulências. Em 2018, o Banesco sofreu intervenção estatal na Venezuela, e executivos chegaram a ser presos. Desde então, o foco do grupo passou a ser ainda mais o exterior.
Atualmente, Escotet vive na Espanha, preside o Abanca e é acionista controlador do Deportivo de La Coruña. Sua história virou símbolo da migração de capitais latino-americanos em busca de estabilidade.





