O Oeste da Bahia consolida-se como uma das fronteiras agrícolas mais promissoras do país. A região do Baixio de Irecê, localizada entre os municípios de Xique-Xique e Itaguaçu da Bahia, vem atraindo investimentos bilionários e transformando o semiárido nordestino em uma potência da agricultura irrigada.
A mais recente movimentação é o investimento de R$ 1,1 bilhão da ACP Bioenergia, grupo com sede em Ribeirão Preto (SP), que anunciou a implantação de um grande projeto agrícola voltado à produção irrigada de soja, milho e algodão. O empreendimento reforça a confiança do setor privado na expansão da infraestrutura hídrica e nas concessões estruturadas pelo governo federal e pela Codevasf.
Baixio de Irecê
Considerado o maior perímetro irrigado da América Latina, o Baixio de Irecê abrange cerca de 105 mil hectares, dos quais 48 mil são irrigáveis. O projeto vem sendo desenvolvido sob a gestão da Codevasf, em parceria com o Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), que concede etapas do empreendimento à iniciativa privada.
Nos últimos anos, o governo federal destinou mais de R$ 555 milhões à ampliação da infraestrutura hídrica local, com construção de canais, estações de bombeamento e sistemas de energia. Esses avanços têm transformado a região em um novo polo de atração de grandes grupos agrícolas.
De acordo com dados da Codevasf, o Valor Bruto da Produção (VBP) local saltou de R$ 400 mil em 2022 para R$ 9,4 milhões em 2023, com a área irrigada praticamente dobrando. O cultivo também se diversifica: feijão, abóbora, mamona e banana já fazem parte da produção regional, antes limitada pelas condições climáticas.
O investimento da ACP Bioenergia
O projeto da ACP Bioenergia terá 15 mil hectares totalmente irrigados e deverá iniciar as operações em outubro de 2026. A estimativa de produtividade é ambiciosa: 100 sacas de soja, 200 de milho e 380 arrobas de algodão por hectare.
A empresa aposta no sistema de irrigação integral como diferencial competitivo para garantir estabilidade e previsibilidade em meio às variações climáticas. O empreendimento também faz parte de uma parceria com a Germina Baixio, responsável por parte da concessão de irrigação na região.
Além de ampliar a base produtiva, o investimento deve gerar centenas de empregos diretos e indiretos, movimentar a economia local e consolidar o Baixio de Irecê como novo polo da agricultura irrigada nacional.
Quem é a ACP Bioenergia
Liderada pelo administrador Alexandre Candido, de 47 anos, a ACP Bioenergia atua há mais de 35 anos no agronegócio, com operações em São Paulo, Mato Grosso do Sul, Goiás, Tocantins e Minas Gerais.
Tradicionalmente ligada ao setor sucroalcooleiro, a empresa vem ampliando sua presença na produção de grãos e em projetos de irrigação. Em 2024, registrou receita líquida de R$ 731 milhões e EBITDA de R$ 512 milhões, consolidando-se entre as principais produtoras do país.
Com o projeto baiano, a ACP busca diversificar riscos climáticos e consolidar um modelo de produção irrigada em larga escala, unindo tecnologia, sustentabilidade e retorno econômico.
Desafios e perspectivas
Apesar do otimismo, o avanço da agricultura irrigada na região ainda enfrenta desafios. O custo elevado de implantação dos sistemas de irrigação, a logística de escoamento e a gestão sustentável dos recursos hídricos são pontos críticos.
O uso racional da água do rio São Francisco, a necessidade de capacitação técnica local e a infraestrutura de transporte e armazenagem também exigem atenção para garantir que o crescimento ocorra de forma equilibrada e duradoura.
Mesmo assim, especialistas apontam que o Baixio de Irecê tem potencial para se tornar um modelo de desenvolvimento agrícola sustentável, combinando alta produtividade com responsabilidade ambiental.
Agricultura irrigada
Com a chegada de investimentos privados de grande porte, o Oeste da Bahia vive um momento de transformação estrutural. O projeto da ACP Bioenergia simboliza não apenas a expansão do agronegócio, mas a mudança definitiva do perfil produtivo do semiárido brasileiro.
O Baixio de Irecê deixa de ser um projeto em potencial e passa a figurar como nova fronteira do agronegócio nacional, onde tecnologia, irrigação e gestão eficiente convergem para criar um verdadeiro império agrícola avaliado em R$ 1,1 bilhão.





