Cerca de 10 mil alunos de escolas cristãs em Jerusalém foram impedidos de retornar às aulas após o fim das férias de janeiro devido a restrições impostas por Israel à entrada de professores provenientes da Cisjordânia. A medida, que afetou mais de 170 docentes palestinos, levou diretores de 12 instituições privadas de ensino a convocarem uma greve, deixando milhares de estudantes sem aulas.
A paralisação foi organizada em protesto contra a decisão das autoridades israelenses, que restringe o acesso de profissionais com qualificações educacionais palestinas e sem documentos de Jerusalém, tornando o retorno às salas de aula inviável para as escolas afetadas. A retomada estava prevista para 10 de janeiro, mas foi suspensa devido à falta de corpo docente.
Escolas defendem direito à educação
Os diretores argumentam que a suspensão das aulas foi necessária para garantir o funcionamento adequado das instituições e a segurança das famílias que frequentam as escolas para atividades acadêmicas, esportivas e culturais. Estudantes muçulmanos que também matriculam seus filhos nas escolas cristãs destacam a “alta qualidade na formação” oferecida por essas instituições.
A greve ocorre em meio a críticas mais amplas ao que alguns líderes educacionais chamam de tentativa de impor um currículo israelense em escolas particulares como condição para receber subsídios, em um contexto marcado por tensões e cortes orçamentários agravados pela guerra na região. O diretor de um colégio cristão denunciou que Israel justifica a restrição alegando que o currículo palestino contém “incitação ao ódio” e nega o direito do Estado de Israel de existir.
Organizações educacionais palestinas qualificam as restrições como parte de um esforço mais amplo para minar a educação palestina e a identidade cultural na cidade, denunciando que as medidas vão além de preocupações de segurança e afetam diretamente o direito fundamental à educação.





