Por décadas, Londrina foi conhecida como a “Capital Mundial do Café”, título imortalizado nas telas de cinema pelo documentarista Renato Melito, que viveu na cidade entre as décadas de 1940 e 1970. Foi dele o filme “Londrina: A Capital Mundial do Café” (1962), obra que ajudou a projetar nacionalmente o nome do município paranaense e consolidar sua ligação histórica com a cafeicultura.
Patrocínio, uma nova liderança
Mais de meio século depois, porém, o protagonismo do café brasileiro mudou de endereço. Patrocínio, em Minas Gerais, desponta como o novo epicentro da produção mundial do grão, impulsionada pela força da Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado (Expocacer).
Fundada em 1993, a entidade representa hoje a vanguarda da cafeicultura sustentável e tecnológica no país, movimentando mais de 1,5 milhão de sacas por ano e exportando para 35 países nos cinco continentes.
Com sede em Patrocínio, reconhecido como o maior município produtor de café do planeta, a Expocacer tem sido responsável por transformar o Cerrado Mineiro em referência global. A região foi a primeira do Brasil a conquistar o selo de Denominação de Origem pelo INPI, certificando a exclusividade e qualidade de seus grãos.
Missão de sustentabilidade
A cooperativa também é pioneira em práticas sustentáveis, sendo a primeira do mundo a receber o selo de agricultura regenerativa. Além disso, lançou o Protocolo ECO – Expocacer Controle de Origem, reconhecido pelo Ministério da Agricultura, e exportou café em um navio cargueiro movido a energia solar e vento, uma inovação inédita na logística do setor.
“Estamos colocando o café de Patrocínio diretamente nas mãos dos consumidores ao redor do mundo”, afirmou Simão Pedro de Lima, diretor-presidente da Expocacer, à Globo. “Essa expansão internacional representa um novo tempo para a cooperativa e para os nossos cooperados.”
Com unidades em Patos de Minas e Santos (SP), além de hubs nos Estados Unidos e na Inglaterra, a Expocacer tornou-se a única cooperativa brasileira com presença física fora do país. O feito reforça a liderança mineira na produção de cafés especiais, agora amplamente reconhecida por sua qualidade e sustentabilidade.
Enquanto Londrina mantém viva a memória cinematográfica de Renato Melito e o legado do café paranaense, Patrocínio assume o título simbólico de nova “Capital Mundial do Café”, unindo tradição, inovação e respeito ao meio ambiente, e consolidando o Cerrado Mineiro como o coração pulsante da cafeicultura global.





