A ofensiva do governo federal de Lula contra o crime organizado no Rio de Janeiro deve ganhar um novo capítulo nos próximos dias.
Apesar de reconhecer internamente que o governador Cláudio Castro venceu o “primeiro round” da disputa narrativa sobre segurança pública — como apontam levantamentos de opinião analisados pelo Planalto — o presidente Lula já determinou à Polícia Federal que prepare uma operação robusta no estado, mirando diretamente as redes financeiras do tráfico.
Governo de Lula aposta em reação estratégica da PF no Rio
No Planalto, aliados admitem que, por ora, a repercussão inicial das ações estaduais deu vantagem política a Castro. Mas a avaliação é de que o desgaste pode virar nos próximos meses, sobretudo quando ficar claro que a cúpula do Comando Vermelho pouco foi afetada pelas ofensivas recentes. Um ministro resume: “O tempo mostrará que a estrutura do tráfico continua intacta”.
Além disso, petistas acreditam que investigações em andamento sobre mortes ocorridas nas operações do governo fluminense podem trazer consequências políticas ao governador. Paralelamente, o Executivo federal de Lula mira medidas legislativas, como o projeto de lei antifacção já enviado ao Congresso e a PEC da Segurança Pública, prevista para votação em breve.
A principal aposta, contudo, é a replicação no Rio de uma estratégia semelhante à Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto contra o PCC. Na ocasião, PF e Receita Federal miraram o “andar de cima” do crime organizado, investigando empresários suspeitos de lavar dinheiro por meio de redes de postos de combustíveis. Quinze alvos ligados ao esquema eram sócios de 251 postos em quatro estados.
A cúpula do governo afirma que PF e Receita já trabalham em um modelo de investigação semelhante voltado ao Rio. A intenção é atingir a estrutura financeira do tráfico e romper sua cadeia de lavagem de dinheiro, considerado hoje o ponto mais sensível do Comando Vermelho.





